Clássico de Richard Wagner terá regência do maestro Roberto Minczuk. Diretor Allex Aguilera assume a montagem, que traz cenografia vinda de Sevilha.
Por Jean Chambre — São Paulo
12/06/2026 18h28 — Atualizado há alguns segundos
O Theatro Municipal de São Paulo detalhou os preparativos para uma das produções mais aguardadas de sua temporada lírica de 2026. Entre os dias 22 de julho e 2 de agosto, a instituição apresenta a ópera "Tristão e Isolda", obra-prima em três atos com música e libreto assinados pelo compositor alemão Richard Wagner.
A montagem deste ano contará com uma alteração importante em sua ficha técnica: a direção cênica, que originalmente seria assinada por Daniela Thomas, passou para as mãos do experiente diretor brasileiro Allex Aguilera. Com a mudança, o palco paulistano receberá a elogiada concepção visual desenvolvida por Aguilera para o Teatro de la Maestranza, em Sevilha, na Espanha.
A execução musical mobilizará simultaneamente os dois corpos estáveis da casa: a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal, todos sob a direção artística e regência do maestro titular Roberto Minczuk.
Um divisor de águas na história da música
Definida pelo próprio Richard Wagner como o projeto mais audacioso e radical de sua trajetória, "Tristão e Isolda" estreou em 1865 e mudou os rumos da música ocidental. Ao desafiar as regras de resolução harmônica e expandir os limites da tonalidade tradicional, a composição abriu as portas para o modernismo musical do século XX.
O ápice dessa revolução teórica está no célebre "acorde de Tristão", introduzido logo nos primeiros compassos do prelúdio, que mergulha o espectador em uma atmosfera de tensão e desejo ininterruptos.
O libreto é baseado na recriação poética de Gottfried von Strassburg para o famoso mito celta medieval. Influenciado diretamente pelo pensamento filosófico de Arthur Schopenhauer sobre o desejo e a renúncia, o enredo narra a paixão avassaladora e proibida entre o cavaleiro Tristão e a princesa Isolda, selada após o consumo acidental de uma poção mágica de amor. A jornada atinge seu ápice na trágica e icônica ária final “Liebestod” (Morte por Amor).
Elenco de solistas nacionais e internacionais
Para dar conta das exigências vocais da partitura wagneriana, as récitas se dividirão de forma alternada entre grandes nomes do circuito lírico:
Tristão: Interpretado pelos tenores Simon O’Neill e Michael Weinius;
Isolda: Vivida pelas sopranos Annemarie Kremer e Eiko Senda;
Coadjuvantes de peso: O elenco de apoio traz os barítonos e meias-sopranos Leonardo Neiva (Kurwenal), Denise de Freitas (Brangäne), Hernan Iturralde (Rei Marke), Paulo Queiroz (Marinheiro) e Jessé Vieira (Timoneiro).
Os ingressos e os horários detalhados de cada récita serão disponibilizados através dos canais oficiais de bilheteria do complexo cultural nos próximos dias.