Renato Borghi e Soraya Ravenle estreiam o espetáculo 'Minha Estrela Dalva' com ingressos gratuitos na Avenida Paulista

 


Em cartaz no Teatro do SESI-SP, montagem dirigida por Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas cruza a memória afetiva de fã e o teatro político para homenagear Dalva de Oliveira.

Por Jean Chambre — São Paulo

16/06/2026 00h37 — Atualizado há alguns segundos

Uma das maiores e mais dramáticas vozes da história da música popular brasileira ganha uma homenagem sem precedentes nos palcos paulistanos. O dramaturgo e ator Renato Borghi, ícone do teatro nacional e cofundador do Teatro Oficina, assina o texto e protagoniza o espetáculo “Minha Estrela Dalva”. A montagem cumpre temporada no Teatro do SESI-SP, localizado no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista, com apresentações de quinta a domingo e ingressos totalmente gratuitos.

As reservas de assentos devem ser feitas pelo público diretamente por meio do portal eletrônico de eventos da instituição. A temporada se estenderá até o dia 12 de julho, contando com sessões acessíveis dotadas de intérprete de Libras e audiodescrição em todas as apresentações de sábados e domingos.

A peça afasta-se do formato convencional das biografias lineares e musicais burocráticos. O roteiro propõe o que o texto define como um "delírio documentado": um encontro impossível no qual o próprio Renato Borghi invade o camarim de sua musa eterna, Dalva de Oliveira (1917–1972), para propor um projeto que a vida interrompeu: um espetáculo revolucionário onde a "Rainha da Voz" interpretaria as canções de protesto e o teatro épico dos alemães Bertolt Brecht e Kurt Weill.

Encontro de gerações no palco e nos bastidores

Para dar corpo e voz à mítica cantora, a produção convocou a premiada atriz e cantora Soraya Ravenle. O convite carrega um simbolismo circular de carreira: o primeiro trabalho de Soraya no teatro musical foi justamente integrando o coro de “A Estrela Dalva” (1987), megassucesso teatral da época escrito por Borghi e protagonizado por Marília Pêra.

Desta vez, Ravenle assume o centro dos holofotes para evocar o mito humano do "Rouxinol do Brasil", investigando os caminhos de sua garganta potente e sua dolorosa interpretação.

O jogo cênico é estruturado em um triângulo de memórias. Borghi divide a cena com o ator e diretor Elcio Nogueira Seixas, seu parceiro de palco e companhia há 33 anos. Elcio assume a codireção artística do show ao lado do experiente Elias Andreato e também atua interpretando a versão jovem do próprio Renato Borghi no ano de 1969 — um ator da contracultura dividido entre a crueza estética do Oficina e o glamour da era de ouro do rádio.

O elenco é completado pelo ator baiano Ivan Vellame (do musical Torto Arado), encarregado de dar vida aos homens e afetos tempestuosos que marcaram e, muitas vezes, tentaram controlar a vida pessoal e financeira da artista, como os maridos Bruno, Kiko e o lendário compositor Herivelto Martins.

Dalva de Oliveira e o pioneirismo no combate ao machismo

Um dos eixos mais contundentes da dramaturgia de "Minha Estrela Dalva" repousa na discussão contemporânea sobre o machismo estrutural e o empoderamento feminino. A peça expõe como os parceiros amorosos e os jornais da década de 1950 tentaram desqualificar, subjugar e submeter Dalva a um verdadeiro linchamento moral público devido ao seu comportamento independente.

A resposta da artista, sintetizada no espetáculo pelo refrão de resistência "Eu não tenho dono", ecoa como um manifesto político atual. O clímax do espetáculo amarra o sofrimento da cantora à sua consagração, culminando com a interpretação de “Jenny dos Piratas”, clássico de Brecht, fundindo o samba-canção passional à revolta social.

“Não me interessa a cópia da casca externa. Me interessa chegar perto da alma de Dalva Vicentina de Oliveira e colocar a minha bem coladinha com a dela, para falarmos de amor, música, machismo, coragens, medos e as tristezas de uma artista brasileira inesquecível”, explica Soraya Ravenle.

Estrutura monumental e orquestra ao vivo

A atmosfera visual de época é sustentada por um cenário monumental concebido por Márcia Moon, iluminado pelo desenho de luz lírico e brutal de Wagner Pinto e vestida com os figurinos de alta-costura assinados pelo estilista Fábio Namatame.

Os arranjos e a direção musical são executados ao vivo sob a regência do maestro William Guedes (violão), acompanhado por uma orquestra de câmara composta por Nath Calan (bateria/percussão), Giancarlo Barletta (baixo), Gustavo Fiel (piano), Denise Ferrari (violoncelo), Eliza Monteiro (viola) e Mica Marcondes (violino).

Serviço – Espetáculo “Minha Estrela Dalva”

  • Local: Centro Cultural Fiesp – Teatro do SESI-SP

  • Endereço: Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista, São Paulo/SP (Em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

  • Temporada: Em cartaz com sessões até o dia 12 de julho de 2026

  • Horários: Quinta a sábado, às 20h | Domingos, às 19h

  • Duração: 90 minutos | Classificação Indicativa: 14 anos

  • Acessibilidade: Sessões de sábado e domingo contam com audiodescrição e intérprete de Libras

  • Ingressos: 100% gratuitos (Reservas antecipadas pelo site www.sesisp.org.br/eventos)