Obra de Emin Alper, vencedora do Urso de Prata, ganha exibição simultânea no MON, Cine Passeio e Cinemateca neste sábado (13). Filme estreia no circuito comercial em julho.
Por Jean Chambre — Curitiba
16/06/2026 01h01 — Atualizado há alguns segundos
O 15º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba chega ao fim de sua jornada cinematográfica de 2026. Para encerrar a edição, a organização do evento escalou o aclamado longa-metragem turco “Salvação” (Kurtuluş), dirigido e roteirizado pelo cineasta de prestígio geopolítico Emin Alper.
A exibição de encerramento acontece de forma simultânea em três dos principais pontos culturais da capital paranaense: o Auditório Poty Lazzarotto (no Museu Oscar Niemeyer - MON), o Cine Passeio e a Cinemateca de Curitiba.
Os ingressos para as sessões de encerramento estão disponíveis para compra diretamente no site oficial do festival, com preços que variam entre R$ 8,00 (meia-entrada) e R$ 18,00 (inteira).
O filme desembarca no Brasil chancelado por uma trajetória internacional de peso, tendo se consagrado com o cobiçado Urso de Prata - Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, despontando como um dos títulos mais debatidos e festejados pelo circuito global de festivais de arte.
Disputa de terras e visões místicas nas montanhas
Inspirado em um trágico e violento caso real ocorrido em 2009 na Turquia, o enredo de "Salvação" funciona como uma parábola perturbadora sobre como ressentimentos históricos e disputas de fronteiras territoriais podem ser instrumentalizados por lideranças extremistas para inflamar o ódio coletivo.
A narrativa acompanha o retorno de um clã exilado a uma isolada e árida vila montanhosa turca, reacendendo um antigo embate de terras com a comunidade local. No entanto, o tom de drama realista e político ganha camadas de suspense psicológico e elementos sobrenaturais ligados à tradição religiosa sufi.
Na trama, Mesut (interpretado pelo ator Caner Cindoruk), irmão do líder da comunidade local, passa a ser sistematicamente acometido por visões perturbadoras e teores proféticos. Julgando que os episódios são avisos divinos diretos, o jovem passa a confrontar os atos de seu próprio sangue, empurrando o vilarejo para uma linha tênue entre a destruição mútua e a redenção espiritual.
“Desenhamos o filme para ecoar como um alerta universal sobre o perigo de massas. Estamos vivenciando uma era global em que sociedades inteiras, em momentos de vulnerabilidade, optam por eleger líderes instáveis e autoritários que flertam com o delírio e a intolerância cega contra minorias”, declarou o diretor Emin Alper, conhecido por obras anteriores como A Tale of Three Sisters e Burning Days.
Estreia no circuito comercial em julho
Após a despedida das telas paranaenses, o público brasileiro não precisará esperar muito para rever a obra. A distribuidora independente Pandora Filmes confirmou o lançamento de "Salvação" no circuito comercial de cinemas para o dia 2 de julho.
Com 35 anos de atuação dedicados ao cinema de arte e de vanguarda no Brasil, a distribuidora — responsável por trazer ao país fenômenos como o sul-coreano Parasita (vencedor do Oscar) e o recente longa nacional Motel Destino — adiciona a produção turca como um de seus principais pilares de exibição para o segundo semestre de 2026.
Serviço – Exibição de Encerramento do 15º Olhar de Cinema
Filme: “Salvação” (Kurtuluş | Turquia, França, Países Baixos, Grécia, Suécia)
Data das Sessões: 13 de junho (sábado)
Horários e Locais:
16h45: MON - Auditório Poty Lazzarotto (Rua Marechal Hermes, 999 - Centro Cívico)
17h00: Cine Passeio - Sala Ritz (Rua Riachuelo, 410 - Centro)
17h00: Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
Ingressos: R$ 18,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia-entrada) | Vendas via site oficial (
.br)www.olhardecinema.com Ficha Técnica: 2026 | 120 minutos | Classificação Indicativa: 14 anos
Estrutura e fomento do Festival
A 15ª edição do Olhar de Cinema foi viabilizada por meio de financiamento federal gerido pela Lei Rouanet (Ministério da Cultura), contando com o patrocínio master do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e cotas de investimento corporativo de marcas como Itaú, Sanepar, Fomento Paraná, Mili e Peróxidos do Brasil. O festival contou ainda com incentivos públicos da Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura Municipal de Curitiba e do Profice (Secretaria de Estado da Cultura do Paraná).
