Dirigido por Maurice Pialat, clássico francês de 1991 chega nesta sexta (19) à FILMICCA. Longa foge de estereótipos e retrata pintor sob ótica cotidiana e humanizada.
Por Jean Chambre — São Paulo
16/06/2026 15h10 — Atualizado há alguns segundos
A vida e os mistérios que cercam o fim da trajetória de um dos maiores nomes da história da pintura mundial ganham as telas do streaming no Brasil. Nesta sexta-feira (19 de junho), o filme “Van Gogh” (1991), considerado por historiadores e críticos a grande obra-prima do cineasta francês Maurice Pialat, estreia com exclusividade na plataforma nacional FILMICCA.
Protagonizado pelo ator e músico Jacques Dutronc, o longa-metragem reconstrói de forma sóbria e humanizada os últimos dois meses de vida do pintor pós-impressionista neerlandês Vincent van Gogh (1853–1890).
A narrativa acompanha o momento em que o artista deixa o asilo psiquiátrico e decide se instalar na comuna de Auvers-sur-Oise, na casa do Dr. Gachet (Gérard Séty). Ali, o pintor tenta manter a sua rotina de produção artística em meio aos severos tormentos de sua saúde mental debilitada.
Ao longo dos dias, Vincent inicia um envolvimento amoroso com Marguerite (Alexandra London), a jovem filha de seu anfitrião, que logo percebe a impossibilidade de competir com a obsessão crônica do artista pelas telas e tintas.
Sem o clichê do 'gênio louco' e com o aval de Godard
O grande diferencial tático de Maurice Pialat na condução do roteiro foi desconstruir o mito do gênio intempestivo e incompreendido, exaustivamente explorado por Hollywood. O diretor preferiu focar a lente nos microeventos do cotidiano: como o pintor se alimentava, a natureza mundana de suas relações interpessoais, suas caminhadas pelos campos de trigo e a forma direta como interagia com a população local.
A escolha artística rendeu aclamação na Europa. Selecionado para a competição oficial do Festival de Cannes de 1991 e escolhido como o candidato oficial da França ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1992, o longa faturou o Prêmio César de Melhor Ator para Jacques Dutronc.
A produção recebeu ainda uma entusiasmada defesa pública de Jean-Luc Godard, um dos pais da Nouvelle Vague, que escreveu em carta direcionada a Pialat:
“Meu caro Maurice, seu filme é surpreendente, totalmente surpreendente; vai muito além do horizonte cinematográfico coberto até agora pelo nosso olhar miserável.”
O elenco principal da produção conta também com Bernard Le Coq interpretando Theo van Gogh, o irmão e mantenedor financeiro do pintor, além de Elsa Zylberstein e Corinne Bourdon.
Ciclo Maurice Pialat ao longo de junho
O lançamento de “Van Gogh” faz parte de uma retrospectiva focada promovida pela FILMICCA ao longo de todo o mês de junho para celebrar a herança de Pialat. Na semana anterior, o serviço disponibilizou o clássico “Aos Nossos Amores” (1983), drama focado na desintegração familiar e na juventude que consolidou o nome do diretor no mercado global.
Já na próxima semana, no dia 26 de junho, o streaming encerra o ciclo com a estreia de “O Amor Existe” (1960). O curta-metragem documental marcou a estreia oficial de Pialat atrás das câmeras, costurando uma crítica contundente ao planejamento urbano da França no pós-guerra e aos impactos da modernidade periférica na segregação das classes sociais.
Serviço – Como assistir à FILMICCA
Plataforma: Streaming independente voltado ao cinema autoral, cult e de grandes festivais;
Onde acessar: Disponível pelo site oficial (filmicca.com.br), em aplicativos nativos para Smart TVs (Samsung, LG, Android TV, Google TV, Apple TV e Amazon Fire TV), além de tablets e smartphones (iOS e Android) com suporte para espelhamento via Chromecast;
Catálogo: Acervo fixo com cerca de 500 títulos com foco em diversidade, incluindo retrospectivas de cineastas como Chantal Akerman, David Cronenberg, Kiyoshi Kurosawa e o brasileiro André Novais Oliveira.
