No 'Provoca', navegadora Tamara Klink fala a Marcelo Tas sobre expedições e alerta: 'O Ártico está aquecendo três vezes mais rápido'

 


Na TV Cultura, filha de Amyr Klink discute solidão no Polo Norte, a experiência de velejar sozinha sendo mulher e os impactos visíveis das mudanças climáticas.

Por Jean Chambre — São Paulo

12/06/2026 18h10 — Atualizado há alguns segundos

O programa "Provoca" da próxima terça-feira (16 de junho) recebe a navegadora e escritora Tamara Klink. Em uma entrevista conduzida por Marcelo Tas, a jovem de 29 anos discute temas profundos como o convívio com a solidão extrema, os impactos visíveis do aquecimento global nas regiões polares e o conceito de liberdade em alto-mar. A edição vai ao ar às 22h30, na TV Cultura.

Durante a conversa, Tamara detalha os desafios psicológicos e físicos de passar meses completamente isolada no Polo Norte. Ela reflete sobre como sua percepção do silêncio mudou ao longo da jornada.

“Acho que tem várias fases da amizade com a nossa solidão. No início, ela era muito barulhenta”, revela a navegadora.

Alerta climático no extremo do planeta

Comandando expedições desafiadoras pelo globo, Tamara trouxe para o centro do debate os impactos práticos das mudanças climáticas que testemunhou de perto. Ao comentar sobre o registro de temperaturas atipicamente elevadas nas calotas polares, ela emitiu um alerta urgente sobre o futuro do planeta.

“O Ártico está aquecendo três vezes mais rápido do que o resto do planeta, então as intensidades são maiores e a gente tem dados que mostram isso. É claro que é um assunto que a gente gostaria de não ter que abordar e muitas vezes ele é omitido, mas a gente não pode mais ignorar todos os dados”, enfatiza.

Gênero, liberdade e o sentido da vida

Outro ponto de destaque da entrevista aborda os recortes sociais de cruzar os oceanos sozinha sendo uma mulher. Ao traçar um paralelo entre a vida em isolamento marítimo e a realidade opressiva das grandes cidades, Tamara destacou o sentimento de desprendimento encontrado no gelo.

“Quando a gente tem a chance de viver num lugar onde está só, a gente não é mais definido pelo nosso gênero”, pontua.

Ao final do bloco, seguindo a tradicional dinâmica do programa onde Marcelo Tas pergunta “O que é a vida?”, a convidada encerrou com uma reflexão poética sobre encerramentos e recomeços: “A vida é uma palavra curta. E a última letra dessa palavra, vida, é a primeira do alfabeto. Para mim, essa era a graça: chegar no final e descobrir o sentido do ponto de partida”.

A produção do programa é uma realização da TV Cultura com o apoio do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais.