Coprodução luso-brasileira é estrelada por Bárbara Luz e Sharon Cho. Drama intimista filmado no interior fluminense chega oficialmente aos cinemas na quinta (18).
Por Jean Chambre — São Paulo
15/06/2026 21h46 — Atualizado há alguns segundos
O circuito de salas de cinema do país recebe nesta semana uma das mais aguardadas coproduções cinematográficas entre Brasil e Portugal da temporada. Sob a direção e roteiro do cineasta niteroiense Eduardo Nunes, o longa-metragem “Cinco da Tarde” teve seu trailer oficial divulgado e tem sua estreia nacional confirmada para a próxima quinta-feira, 18 de junho.
A estratégia de lançamento do drama envolverá sessões especiais de pré-estreia acompanhadas por debates com o público nesta quarta-feira (17).
Em Niterói (RJ), o encontro ocorrerá no tradicional Cine Arte UFF, reunindo o diretor e os professores universitários Tunico Amâncio e Mariana Baltar. Já em Belo Horizonte (MG), o circuito será abrigado pelo Cine Minas Tênis, contando também com a presença física de Nunes para discutir os conceitos técnicos e poéticos da obra.
O filme chega amparado por uma elogiada carreira em mostras artísticas, tendo feito sua estreia mundial na mostra competitiva do 25º Festival do Rio, além de passar por circuitos internacionais na Europa e na Ásia, como o Girona Film Festival (Espanha), o Nepal International Film Festival e o World Film Festival Kolkata (Índia). A distribuição comercial em Portugal está programada para o segundo semestre de 2026.
Perda, solidão e conexões entre vizinhas
A narrativa acompanha os passos de Anabel, interpretada por Bárbara Luz (atriz que integrou o elenco do aclamado “Ainda Estou Aqui”). Aos 17 anos, a jovem enfrenta o luto e o vazio deixados pela morte recente de sua avó. Ao retornar ao apartamento da idosa, Anabel se depara com uma atmosfera densa e uma "estranha presença" que a força a amadurecer diante da perda.
Nesse processo de isolamento, ela encontra um ponto de apoio em Meiko, vivida pela estreante Sharon Cho, sua vizinha tímida. À medida que rompem as barreiras da convivência, as duas adolescentes descobrem traumas em comum e passam a compartilhar sentimentos latentes de solidão e busca por pertencimento.
Há uma simetria de bastidores no elenco: se Sharon faz sua estreia em longas neste filme, Bárbara Luz também debutou no cinema sob o comando de Eduardo Nunes, quando protagonizou o longa “Unicórnio” (2018). O elenco principal do novo drama traz ainda as veteranas Analu Prestes e Miwa Yanaguizawa.
Homenagem afetiva e arquitetônica a Niterói
Rodado integralmente em agosto de 2022, "Cinco da Tarde" funciona como uma carta de amor de Eduardo Nunes à sua cidade natal. O perímetro urbano de Niterói molda a fotografia de Mauro Pinheiro Jr., destacando locações como o Campo de São Bento, a Igreja Porciúncula de Sant'Ana e o Edifício Cézanne — prédio residencial erguido no terreno que antigamente abrigava o icônico Cine São Bento, sala de rua frequentada pelos pais do diretor.
A produção foi inteiramente financiada por meio do Primeiro Edital de Fomento do Audiovisual da Prefeitura de Niterói.
“Tenho muito orgulho de realizar este trabalho por meio deste edital, pois acredito no potencial cinematográfico da cidade, que abriga uma das escolas de cinema mais importantes do país. Esse fomento permitiu que eu, após mais de 30 anos de carreira, filmasse pela primeira vez na minha terra natal, revisitando cenários da minha infância e homenageando o cinema que meus pais frequentavam”, avalia Eduardo Nunes.
Aliança luso-brasileira nos bastidores
A produção executiva do longa-metragem é capitaneada por Fernanda Reznik e Izabella Faya, sócias da produtora carioca 3 Tabela Filmes (responsável por títulos como “Derrapada” e o documentário “5 Vezes Chico”).
A engenharia de finalização do filme — englobando a edição, efeitos visuais digitais, mixagem de som e a trilha sonora assinada pelo músico Paulo Furtado — foi executada em Portugal pela coprodutora Bando à Parte, sob a tutela do produtor europeu Rodrigo Areias, profissional conhecido por colaborar com cineastas históricos como Manoel de Oliveira e Peter Greenaway.
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