Dirigido por Brenda Lígia e Edu Felistoque, longa em 2D reconta o Brasil de 1830 sob a ótica de um jovem africano que inventa a fotografia. Elenco traz Antônio Fagundes e Paolla Oliveira.
Por Jean Chambre — São Paulo
15/06/2026 19h11 — Atualizado há alguns segundos
O cinema de animação brasileiro ganha os holofotes de um dos mercados exibidores mais importantes do planeta. O longa-metragem “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” faz sua estreia mundial nesta segunda-feira (15 de junho), dentro da mostra competitiva do 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai, na China. O evento, considerado um dos principais termômetros e vitrines do setor audiovisual na Ásia, estende sua programação oficial até o dia 21 de junho.
A sessão de gala em território asiático conta com a presença da diretora e roteirista Brenda Lígia e do diretor de arte e animação pernambucano Everton Amorim. O projeto marca o primeiro trabalho de Brenda no comando de um longa-metragem de animação — a artista já acumula uma sólida bagagem de atuação com passagens por 17 filmes, 12 séries de TV e 10 espetáculos teatrais. Ela divide a direção e o roteiro com o experiente cineasta Edu Felistoque.
A obra foi viabilizada por meio do patrocínio do BNDES, com o apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (SECEC-DF) e fomento do Governo do Distrito Federal, através de recursos repassados pela Lei Paulo Gustavo, além do Ministério da Cultura.
Protagonismo negro e ficção científica histórica no Brasil Império
Produzido em técnica tradicional de animação 2D pela Felistoque Cinema, o filme chega ao público de forma simbólica no ano em que o mundo celebra os 200 anos do registro da primeira fotografia permanente da história humana. A narrativa propõe um exercício de afrofuturismo e fantasia histórica ao se passar no Brasil escravocrata de 1830 — período em que o país operava como o último território das Américas a abolir o regime de escravidão.
A trama acompanha a jornada de Amadeo, um jovem africano de mente genial e extrema sensibilidade que consegue desenvolver a mecânica e a química da câmera fotográfica anos antes dos inventores europeus.
Longe de se limitar ao ambiente científico, Amadeo decide utilizar sua tecnologia revolucionária de captura de imagens como uma ferramenta estratégica e política para registrar as arbitrariedades coloniais e auxiliar na libertação de pessoas escravizadas. Em paralelo à militância abolicionista, o protagonista precisa lidar com as dores de uma paixão proibida por Linda, uma jovem idealista e filha de um poderoso e conservador barão de café.
Conexão cultural e intercâmbio Brasil-China
A seleção do filme para o circuito de Xangai coincide com o calendário de aproximação diplomática entre os dois países, que decretaram 2026 como o Ano Cultural e do Turismo Brasil-China. A iniciativa visa impulsionar festivais, exposições e rodadas de negócios audiovisuais entre as duas nações, que celebraram o cinquentenário de suas relações bilaterais em 2024.
Para a diretora, ver a narrativa nascer comercialmente no Oriente reflete a própria pluralidade de sua equipe técnica de bastidores.
“Nossa animação é muito plural, composta por um time diverso com profissionais de Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Alagoas e até de Guiné-Bissau. Tem branco, preto, jovem, idoso, anônimo e famoso... Parece um sonho ver nossa estreia ocorrer na China. Acredito que bons frutos vão florescer deste encontro tão potente”, declarou Brenda Lígia, que estuda o idioma mandarim atualmente.
Vozes de peso de Hollywood e do Brasil
Para dar vida e peso interpretativo aos personagens desenhados, a produção reuniu um dos elencos de dublagem e voz original mais estrelados do mercado nacional. Integram o time de dubladores os atores:
Antônio Fagundes
Paolla Oliveira
Mateus Solano
Naruna Costa
Sérgio Menezes
Edmilson Filho
Tiago Abravanel
Adriana Lessa
Igor Cotrim
Léa Garcia (em uma de suas últimas contribuições artísticas gravadas)
Parceria técnica e distribuição
A retaguarda técnica de "Amadeo e o Hipotético Mundo Novo" traz a assinatura de Everton Amorim na direção de arte (sócio do estúdio caruaruense Sagui Studio e CEO da Refúgio Onírico), além de trilha sonora sinfônica original composta pelo músico Guilherme Picolo.
O desenho de produção e finalização do longa-metragem envolveu uma rede de empresas coprodutoras independentes, incluindo a Sol de Barros Filmes (DF), Assum Filmes, Flying Frames, Guarnicê Produções e Dream Box. No Brasil, o circuito comercial de salas e a estratégia de lançamento serão gerenciados pela distribuidora Downtown Filmes.
