'Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha' fatura o Prêmio Olhar de Melhor Filme. Festival reuniu 80 produções globais na capital paranaense.
Por Jean Chambre — Curitiba
16/06/2026 00h51 — Atualizado há alguns segundos
O Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba oficializou o balanço de premiados da sua 15ª edição. Consolidado como uma das principais vitrines do cinema independente e autoral no país, o evento reuniu ao longo de sua programação 80 longas e curtas-metragens vindos de diversos continentes, divididos em mostras competitivas e paralelas que ocuparam salas tradicionais da capital paranaense, como o Cine Passeio e o Teatro da Vila.
Na principal categoria da noite, a Mostra Competitiva Brasileira, o grande vencedor foi o longa-metragem “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, dirigido por Janaína Marques. A produção faturou o prestigiado Prêmio Olhar de Melhor Filme, além de garantir o troféu de Melhor Atuação para a dupla de atrizes Verônica Cavalcanti e Luciana Souza. A trama constrói uma odisseia subconsciente onde a protagonista, Rosa, reconecta-se com as memórias de sua mãe em meio ao som de uma máquina de ressonância magnética.
Outro grande destaque da seleção nacional foi o filme alagoano “Olhe Para Mim”, comandado pelo diretor Rafhael Barbosa. O projeto — uma fantasia alegórica inspirada no misticismo que margeia as águas do Rio São Francisco — saiu da cerimônia como o maior vencedor em termos de volume de estatuetas técnicas, faturando os prêmios de Melhor Direção (Rafhael Barbosa), Melhor Direção de Arte (Nina Magalhães) e Melhor Som (Lucas Coelho).
Destaques nacionais e prêmio da crítica
Ainda dentro da disputa brasileira de longas-metragens, o cineasta Pedro Diógenes garantiu o prêmio de Melhor Roteiro pela obra “Adulto/Homem”, gravada inteiramente em plano-sequência com 20 atores. Já o drama social “A Noite e os Dias de Miguel Burnier”, de João Dumans, conquistou os troféus de Melhor Fotografia e Melhor Montagem (assinada por Affonso Uchôa).
A Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), parceira histórica do festival, concedeu o seu prêmio de Melhor Longa Nacional para “Reparação”, de Marcus Curvelo, que também recebeu uma Menção Honrosa do júri oficial. No segmento de curtas-metragens brasileiros, a crítica especializada consagrou “Disciplina”, do realizador Affonso Uchôa, enquanto o júri oficial concedeu o Prêmio Olhar de Melhor Filme para “Pirexia”, de Nico da Costa.
Seleção Internacional e Novas Janelas
Na vertente estrangeira do festival, o júri internacional elegeu a coprodução multipatriada (Canadá, Irã, Turquia, Vanuatu e Venezuela) “Um Calendário Incompleto”, de Sanaz Sohrabi, como o Melhor Filme Internacional. O longa reconstrói arquivos e canções de um vinil da OPEP dos anos 1980 para debater o petróleo sob a ótica de movimentos de libertação política e solidariedade pan-árabe. O Prêmio Especial do Júri Internacional foi concedido à animação marroquina “Bouchra”.
A categoria Novos Olhares — dedicada a narrativas que desafiam as linguagens estéticas convencionais do audiovisual — premiou o longa-metragem “Como Todo Mortal”, da diretora Maria Molina Peiro, uma produção dividida entre as paisagens da Andaluzia e do planeta Marte.
Veja a lista completa de premiados do 15º Olhar de Cinema:
Mostra Competitiva Brasileira (Longas)
Melhor Filme (Prêmio Olhar): Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques
Melhor Direção: Rafhael Barbosa (Olhe Para Mim)
Melhor Roteiro: Pedro Diógenes (Adulto/Homem)
Melhor Atuação: Verônica Cavalcanti e Luciana Souza (Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha)
Melhor Direção de Arte: Nina Magalhães (Olhe Para Mim)
Melhor Som: Lucas Coelho (Olhe Para Mim)
Melhor Fotografia: João Dumans (A Noite e os Dias de Miguel Burnier)
Melhor Montagem: Affonso Uchôa (A Noite e os Dias de Miguel Burnier)
Mostra Competitiva Brasileira (Curtas)
Melhor Filme (Prêmio Olhar): Pirexia, de Nico da Costa
Prêmio Especial do Júri: Pinguim de Doce de Leite, de Ana Vitória Miotto Tahan
Prêmio do Público: Duwid Tuminkiz - Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana
Prêmio Canal Brasil de Curtas: O Segredo Sagrado, de Everlane Moraes
Mostra Competitiva Internacional
Melhor Filme (Prêmio Olhar): Um Calendário Incompleto (Canadá/Irã/Turquia/Vanuatu/Venezuela), de Sanaz Sohrabi
Prêmio Especial do Júri (Longa): Bouchra (Itália/Marrocos/EUA), de Orian Barki e Meriem Bennani
Melhor Curta Internacional: Dragão (Bolívia/México), de Yashira Jordán
Prêmio do Público (Longa): Se Pombos Virassem Ouro (República Tcheca/Eslováquia), de Pepa Lubojacki
Prêmios Especiais de Plataformas e Entidades
Prêmio Abraccine (Melhor Longa): Reparação, de Marcus Curvelo
Prêmio Abraccine (Melhor Curta): Disciplina, de Affonso Uchôa
Prêmio Mostra Novos Olhares: Como Todo Mortal (Espanha/Países Baixos), de Maria Molina Peiro
Prêmio AVEC-PR (Lu Rufalco): Tornar-se Ciborgue no Interior, de Louisa Sauvignon (Premiação de R$ 5 mil via Sanepar)
Prêmio Itaú Cultural Play: Estrelas Terrestres, de Rafael Neri M. Ferreira (Aporte de R$ 15 mil para licenciamento na plataforma)
Prêmio Cardume de Curtas: Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho (Contrato de licenciamento e R$ 3 mil)
Fomento institucional
Realizado por meio da produtora Grafo Audiovisual, o 15º Olhar de Cinema contou com financiamento federal via Lei Rouanet (Ministério da Cultura), além de aportes municipais e estaduais do Programa de Apoio ao Incentivo à Cultura de Curitiba e do Profice (Governo do Estado do Paraná). O festival teve o patrocínio corporativo master do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e cotas de apoio de empresas como Itaú, Sanepar, Fomento Paraná, Mili e Peróxidos do Brasil.
