O inglês de Wagner Moura no Globo de Ouro reacende debate: sotaque não apaga identidade — amplifica

 


O discurso de Wagner Moura ao receber um prêmio no Globo de Ouro de 2026 e suas recentes entrevistas à imprensa internacional reacenderam um debate antigo — e cada vez mais atual — sobre língua, identidade e pertencimento no cenário global. Falar inglês, como mostrou o ator brasileiro, não significa abrir mão da própria origem. Ao contrário: quando usado com autenticidade, o idioma pode se tornar uma ferramenta poderosa para valorizar a cultura brasileira em palcos internacionais, sem neutralizar sotaques, emoções ou personalidade.

Ao se comunicar em inglês, Wagner Moura não busca soar “americano”. Seu sotaque permanece evidente, assim como seu modo de rir, gesticular e se posicionar politicamente. O resultado é uma comunicação clara, segura e profundamente humana — exatamente o que vem sendo mais valorizado em ambientes profissionais, culturais e artísticos ao redor do mundo.

A postura do ator reflete uma tendência crescente no mercado globalizado: a eficácia da comunicação importa mais do que a perfeição técnica. Fluência, nesse contexto, não se resume ao domínio absoluto da gramática, mas à capacidade de transmitir ideias, sentimentos e posicionamentos com clareza e confiança.

Esse movimento é especialmente relevante para brasileiros que ainda carregam o receio de falar inglês por medo do sotaque ou de “errar”. Para Carla D’Elia, fundadora da Save Me Teacher, plataforma de ensino de inglês voltada para o mercado de trabalho, o exemplo de Wagner Moura ajuda a desmontar um mito persistente.

“Existe uma crença equivocada de que só é fluente quem fala sem sotaque. O sotaque não diminui a credibilidade; a falta de clareza e de segurança, sim. Quando a pessoa consegue se expressar com autonomia, o inglês vira uma ponte, não uma barreira”, afirma.

Segundo ela, empresas e instituições internacionais têm demonstrado uma mudança clara de perspectiva: além do domínio técnico do idioma, passam a valorizar repertório cultural, autenticidade e capacidade de se posicionar. Esse ponto é central no desenvolvimento do chamado Business English, voltado a contextos profissionais de maior impacto.

“Muitos profissionais brasileiros até dominam o inglês básico, mas travam quando precisam usá-lo em situações estratégicas, como reuniões, entrevistas ou apresentações importantes. O Business English prepara para contextos reais de trabalho. Não é sobre saber todas as regras, mas sobre argumentar, negociar, apresentar ideias e participar de decisões em inglês”, explica Carla.

O inglês profissional exige vocabulário corporativo, leitura de contexto cultural e confiança na comunicação oral e escrita — exatamente o que se observa em Wagner Moura ao ocupar espaços internacionais sem abdicar de sua identidade brasileira.

O caso do ator evidencia que o inglês não cria talento, mas amplia trajetórias. Ele permite que histórias, conquistas e vozes brasileiras atravessem fronteiras. No mercado de trabalho, o efeito é semelhante: profissionais bem preparados acessam oportunidades globais, projetos internacionais e reconhecimento fora do país.

“Quando o inglês deixa de ser um obstáculo, o profissional consegue focar no que realmente importa: sua entrega, sua visão e sua experiência. É isso que torna alguém competitivo globalmente”, complementa Carla D’Elia.

Investir em inglês direcionado ao trabalho, portanto, não é sobre neutralizar sotaques ou apagar identidades, mas sobre protagonismo, representatividade e crescimento profissional. Wagner Moura mostrou que é possível falar inglês — e ainda assim soar profundamente brasileiro.