Filme que marcou uma geração LGBTQIAPN+ ganhará nova versão nos palcos, com músicas inéditas, audições para ator com deficiência visual e participação do trio original em vídeo de divulgação.
Prepare o coração: Leonardo, Gabriel e Giovana estão prestes a ganhar uma nova vida nos palcos! “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, um dos filmes brasileiros mais queridos pelo público e pela crítica internacional, vai virar um teatro musical. A estreia está prevista para 2027, em uma adaptação que promete revisitar a história de descoberta, amizade, autonomia e primeiro amor que conquistou espectadores no Brasil e no mundo.
O projeto reúne Daniel Ribeiro, diretor do longa original, e Rafael Gomes, um dos nomes de destaque do teatro brasileiro. A montagem terá canções inéditas e uma nova abordagem dramatúrgica, mantendo a essência delicada e emocionante da história.
Uma história que atravessa gerações
Para quem acompanhou o filme, a trama é familiar: Leonardo é um adolescente com deficiência visual que busca conquistar sua independência enquanto descobre os sentimentos do primeiro amor. Agora, essa jornada chega ao teatro em uma experiência que pretende ampliar as emoções da obra por meio da música e da linguagem dos palcos.
A ideia de transformar o filme em musical é um desejo antigo de Daniel Ribeiro. O roteiro será assinado por ele e pelo dramaturgo Davi Novaes, enquanto Guilherme Gila ficará responsável pelas músicas e letras originais.
“Sempre senti que o público queria saber mais sobre Leo, Gabriel e Giovana. Foi daí que surgiram os quadrinhos e, agora, o musical: uma forma de levar esses personagens para outras linguagens e para novas plateias”, conta Daniel.
Do curta premiado ao fenômeno internacional
A história começou em 2010, com o curta-metragem “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, que passou por cerca de 100 festivais internacionais e conquistou 78 prêmios.
Em 2014, a produção ganhou sua versão em longa-metragem, intitulada “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”. O filme levou 204 mil espectadores aos cinemas brasileiros e conquistou reconhecimento internacional, incluindo o Teddy Award e o prêmio FIPRESCI no Festival de Berlim.
A trajetória dos personagens continuou em outras linguagens. Em 2026, eles chegaram aos quadrinhos em uma HQ ilustrada por Bruno Freire e lançada pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras. Agora, o musical amplia ainda mais esse universo e apresenta a história a uma nova geração.
Criadores querem reinventar a história sem perder sua essência
A adaptação reúne profissionais com experiência em grandes produções do audiovisual e do teatro musical. Rafael Gomes, responsável pela direção, já assinou trabalhos como “Um Bonde Chamado Desejo”, “Gota d’Água [a seco]” e “Nossa História com Chico Buarque”.
Davi Novaes e Guilherme Gila também chegam ao projeto com uma parceria premiada: os dois assinaram a adaptação musical de “Dom Casmurro” (2024), que recebeu o prêmio Bibi Ferreira de melhor dramaturgia e o prêmio DID de melhor composição.
“Esse projeto nasce do afeto que muita gente tem por essa história, mas também do desejo de reinventá-la. O musical permite ampliar emoções, criar novas camadas e conversar com o público de hoje”, afirma Rafael Gomes.
Para Davi Novaes, a adaptação também tem um significado pessoal. “Essa história foi muito importante para mim quando eu me descobria um homem gay, na adolescência. Agora, adulto, poder revisitar esse universo e levá-lo para o teatro é uma aventura muito feliz”, conta.
Guilherme Gila também relembra sua conexão com o filme e destaca a emoção de transformar essa memória em música. Para ele, o projeto é uma oportunidade de revisitar a própria adolescência e devolver ao público uma mensagem de amor, afeto e coragem.
Trio original aparece junto novamente em vídeo
E tem reencontro para quem sente saudade do elenco original! Ghilherme Lobo, Tess Amorim e Fabio Audi, protagonistas do filme, foram convidados para gravar uma das canções do espetáculo em um vídeo de divulgação.
Como Ghilherme e Tess moram fora do Brasil, a gravação aconteceu remotamente, com cada um registrando sua participação em casa, usando o celular. Fabio Audi, que também toca piano, completou o trio.
Mas atenção: a participação dos três está limitada ao vídeo promocional. Eles não farão parte do elenco do musical.
Musical terá audições em todo o Brasil
Um dos pontos importantes da montagem está na escolha do protagonista. A produção abrirá audições públicas em todo o país para encontrar um ator com deficiência visual para interpretar Leonardo, seguindo a proposta de representatividade e inclusão da história original.
Mais informações sobre as audições serão divulgadas em breve.
O musical está em fase de captação de recursos e finalização da adaptação. A produção é da Substância Filmes em parceria com a Art’n Company, com coprodução da Lacuna Filmes.
A estreia está prevista para 2027.
