Documentário brasileiro “Morro Grande” é selecionado para competição internacional do IDFA

 


O documentário brasileiro Morro Grande, dirigido por Isabel Joffily e Rita Toledo, foi selecionado para a Competição Internacional do 39º IDFA (International Documentary Film Festival Amsterdam), considerado um dos principais festivais de cinema documental do mundo. A estreia mundial está marcada para 16 de novembro, em Amsterdã, na Holanda, com outras cinco exibições programadas durante o evento, que acontece de 12 a 22 de novembro.

A seleção marca o retorno de um filme brasileiro à principal mostra competitiva do festival após 15 anos. A última participação do Brasil nessa categoria ocorreu em 2011, com As Canções, documentário de Eduardo Coutinho.

Filmado entre 2022 e 2026, Morro Grande retrata a vida de agricultores de uma comunidade rural no interior do Rio de Janeiro e aborda os impactos do uso de agrotóxicos, as desigualdades sociais e a saúde mental no campo. A produção também discute o chamado colonialismo químico, conceito relacionado à exportação, para países como o Brasil, de pesticidas proibidos em nações onde são produzidos.

A história acompanha Rodolpho, escritor nascido na região, que decide reconstruir a trajetória de seu amigo Vaguinho após a morte dele. Agricultor talentoso, Vaguinho liderou nos anos 2000 um movimento de punk rural com a banda Formigas de Fogo. Sua morte por suicídio, após ingerir um pesticida, leva Rodolpho a investigar as experiências do amigo e as condições de vida da comunidade.

Ao conectar essa história a outros relatos locais, o documentário mostra a rotina de trabalhadores expostos aos agrotóxicos e as dificuldades enfrentadas pelas famílias rurais. Ao mesmo tempo, destaca a resistência da comunidade por meio da arte, da literatura e do pensamento crítico.

“Morro Grande” também propõe uma reflexão sobre o modelo de produção agrícola adotado no Brasil e suas consequências para a população do campo. Segundo as diretoras, a intenção foi se aproximar de jovens agricultores que encontram na expressão artística uma maneira de discutir questões sociais e de saúde mental.

A produção é da Coevos Filmes, em coprodução com a holandesa Basalt Films, Eline van Wees, Canal Brasil e RioFilme. O roteiro é assinado por Isabel Joffily, Pedro Rossi, Rita Toledo e Rodolpho Branco, com montagem de Pedro Rossi e trilha sonora do grupo Os Fita.

Com a seleção para o IDFA, o longa leva ao circuito internacional uma história sobre desigualdade, impactos ambientais e a capacidade de resistência de comunidades rurais brasileiras.