A Globo demitiu Manuel Belmar no começo da noite desta quinta-feira (3), encerrando uma passagem de mais de duas décadas do executivo pelo grupo. Responsável por áreas como produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura, Belmar vinha sendo alvo de críticas internas relacionadas à estratégia adotada pela emissora para os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026.
Segundo informações da Veja, a avaliação dentro da Globo é de que a decisão de abrir mão da exclusividade permitiu que concorrentes ampliassem sua presença durante o Mundial. SBT e CazéTV aparecem como os principais beneficiados pela estratégia. O desempenho da negociação passou a gerar forte pressão nos bastidores e Belmar foi responsabilizado internamente pelo resultado.
A insatisfação ganhou força dentro da empresa após a definição do modelo de transmissão da Copa. De acordo com os relatos citados pela publicação, funcionários chegaram a considerar que o executivo deveria ter sido desligado antes, diante da dimensão atribuída ao episódio. Belmar, por sua vez, não teria reconhecido internamente que a estratégia representou um erro.
A saída encerra uma trajetória de ascensão dentro do Grupo Globo. Nascido em Lisboa, em 1964, Belmar chegou à Infoglobo em 2003, depois de trabalhar no setor bancário. Inicialmente ligado à tesouraria, assumiu posteriormente a diretoria financeira. Em 2009, migrou para a Globosat, onde também passou a atuar na área de gestão e acompanhou projetos relacionados à expansão dos negócios digitais e esportivos.
Em 2019, Belmar assumiu a direção de finanças, jurídico e infraestrutura da Globo. Em 2022, incorporou a Agenda ESG às responsabilidades e, em 2024, passou a comandar também a área de produtos digitais, incluindo plataformas e marcas como Globoplay, G1, GE, Gshow, Globo.com e Cartola, além dos canais pagos e da Globo Filmes.
A carreira do executivo também foi marcada por reconhecimento no mercado. Em 2025, ele foi escolhido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças como Executivo do Ano e recebeu o prêmio O Equilibrista. Naquele período, o Globoplay registrava crescimento de 42% na base de assinantes e avanço de 86% na receita publicitária.
Antes de deixar a companhia, Belmar defendia publicamente a importância do conteúdo para a estratégia da Globo diante das mudanças na distribuição. Em uma de suas declarações, afirmou que a empresa deveria ser vista como um ecossistema centrado no consumidor e que, apesar das transformações nos meios de distribuição, o conteúdo continuaria sendo o principal elemento de conexão com o público.
