Evento acontece entre 17 e 27 de junho no CineSesc e traz exibições gratuitas no Sesc Digital. Programação vai do punk underground de NY ao manguebeat e rap paulista.
Por g1 — São Paulo
12/06/2026 11h31 — Atualizado há alguns segundos
São Paulo recebe, entre os dias 17 e 27 de junho, a edição 2026 do In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, o principal evento dedicado ao gênero na América Latina. Concentrado no CineSesc, na Rua Augusta, o circuito apresenta uma seleção de obras inéditas que retratam artistas responsáveis por redefinir a história da música global e nacional.
A abertura oficial acontece na quarta-feira (17), às 20h, com a exibição gratuita de “Fugs Film!”, documentário de Chuck Smith que resgata a trajetória do grupo norte-americano The Fugs. Formada nos anos 1960 por poetas da geração beat, a banda fundiu folk, sátira política e experimentação radical, sendo apontada como uma das precursoras do espírito punk em Nova York.
Ao longo de dez dias, o festival promove sessões com ingressos a preço único de R$ 10,00, além de bate-papos ao vivo com diretores e equipes técnicas nas exibições da mostra competitiva do Panorama Brasileiro.
Destaques internacionais: dos anos 80 ao rock de 90
A seleção estrangeira viaja por diferentes recortes temporais e geográficos da música:
Boy George & Culture Club: Dirigido por Alison Ellwood, o filme destrincha os bastidores da fama e a montanha-russa emocional da banda britânica nos anos 1980, expondo sem filtros o relacionamento tempestuoso entre Boy George e o baterista Jon Moss.
The Best Summer: A diretora Tamra Davis resgata uma cápsula do tempo de 1995 durante uma turnê australiana, registrando performances cruas e momentos íntimos de gigantes do rock alternativo como Beastie Boys, Sonic Youth, Foo Fighters, Beck e Bikini Kill.
Half Moon: O documentário acompanha o exílio do clarinetista sírio Kinan Azmeh após o início da guerra em seu país, em 2011, investigando a identidade e o poder da arte em uma jornada entre Beirute e Amsterdã.
La 42 (42nd Street): Um mergulho sensorial no movimento urbano do dembow na República Dominicana, ritmo que serve de combustível para artistas como Bad Bunny e El Alfa.
Panorama Nacional: o funk de 'Da Lata' e a periferia paulista
A produção brasileira ganha espaço central na tela do CineSesc com resgates históricos e debates sociais. Um dos títulos mais aguardados é “Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos”, que utiliza um vasto material inédito gravado em 1995 para reconstruir o processo de criação do álbum que revolucionou o pop nacional ao misturar música eletrônica, funk e samba.
O cenário contemporâneo é retratado em “Entre o Sucesso e a Lama”, de Cristiano Burlan. O cineasta adota o formato do cinema direto para registrar a gravação de um disco coletivo de rap sob a mentoria de Edi Rock (Racionais MC's) e Gaspar Z'África Brasil, enquanto acompanha a resistência do Teatro de Contêiner contra a pressão imobiliária no centro de São Paulo.
A ancestralidade e a contracultura nacional também guiam produções como “Quando a Gente Vira Um – Mestre Ambrósio” (pilar do movimento manguebeat), “Vivo 76” (focado na psicodelia de Alceu Valença) e “Pontos de Força”, filme de encerramento que acompanha Mateus Aleluia pelos territórios sagrados do Recôncavo Baiano.
Apagamento histórico e pioneirismo
O In-Edit 2026 traz reflexões críticas sobre raça e gênero na história da MPB. É o caso de “A Noite de Alaíde”, longa de Liliane Mutti que acompanha a viagem de Alaíde Costa, aos 90 anos, de volta aos Estados Unidos. O documentário recupera o espaço da artista nos palcos internacionais que lhe foram negados na década de 1960 devido ao apagamento racial nos bastidores da Bossa Nova.
O pioneirismo instrumental também ganha fôlego em “Universo Circular”, sobre a compositora Jocy de Oliveira, responsável por introduzir a música eletrônica de vanguarda no Brasil no início dos anos 1960.
Exibições online e gratuitas
Ampliando o alcance das produções para todo o país, o festival disponibilizará títulos gratuitos na plataforma Sesc Digital entre 18 de junho e 1º de julho.
A mostra virtual inclui “Ary”, ensaio poético sobre o compositor Ary Barroso com narração do ator Lima Duarte; “Arthur, o Gigante”, homenagem ao virtuoso baixista Arthur Maia; e “Eletrônica:Mentes”, uma profunda investigação sobre a evolução tecnológica dos sintetizadores e produtores no mercado brasileiro.
A venda de ingressos para as sessões presenciais começa nesta sexta-feira, 12 de junho, a partir das 19h, através do site oficial do Sesc São Paulo ou nas bilheterias físicas das unidades.
