Considerada um dos maiores nomes da soul music brasileira desde o fim dos anos 1970, Sandra Sá segue reforçando o discurso de valorização da música preta nacional e da força cultural dos ritmos afro-brasileiros. Em entrevista recente, a artista falou sobre ancestralidade, identidade sonora e criticou o hábito de artistas brasileiros buscarem excessivamente referências estrangeiras em vez de fortalecer a própria cena musical do país.
Do subúrbio do Rio de Janeiro para os principais palcos do país, Sandra consolidou sua trajetória com sucessos como Olhos Coloridos, Retratos e Canções e Joga Fora, tornando-se referência da chamada música preta brasileira.
“Eu acho que a grande parada é essa percepção de quem somos, sabe? Em termos de som mesmo, ‘o som que somos’. É a percepção da música preta brasileira que rola geral. Tudo gira em torno disso. Os tambores, principalmente aqui no Brasil, o tambor da favela, o tambor da aldeia. Essa é a verdadeira alma”, afirmou a cantora.
Neta de cabo-verdiano e filha de baterista, Sandra destaca que sua formação artística sempre esteve conectada às raízes afrodiaspóricas presentes no samba, no soul, no jazz e na música popular brasileira.
Ao longo da conversa, a artista também criticou o que considera uma desvalorização histórica dos músicos nacionais diante de artistas internacionais.
“Nosso tambor é muito forte. Só que aqui no Brasil ninguém fala mais em Frank Sinatra do que em Emílio Santiago. Imperdoável falar assim”, comentou, citando Frank Sinatra e Emílio Santiago.
Sandra ainda defendeu uma maior união entre artistas brasileiros, especialmente dentro da música preta, para fortalecer a identidade cultural nacional.
“Os gringos respeitam a gente para caramba e chupam muito da nossa cultura também. E a gente acaba copiando a cópia da cópia. Acho que precisamos nos ligar mais”, declarou.
A cantora também ressaltou que o Brasil possui uma riqueza sonora única, construída a partir da mistura de ritmos, tambores e influências ancestrais que atravessam gerações.
“Tá faltando a gente se conscientizar e estar mais atento. A música preta brasileira é esse caldeirão de sons. A música preta é fantástica e está no universo todo”, concluiu.
Sandra Sá será uma das atrações da 7ª edição do Festival Salvador Jazz, evento voltado ao jazz, blues, R&B e ritmos afrodiaspóricos que acontece entre os dias 27 e 31 de maio, em Salvador. O line-up também reúne nomes como Amaro Freitas, A Cor do Som e Aguidavi do Jêje.