Justiça de SP condena site por venda de streams falsos e reforça combate à fraude digital

 


A Justiça de São Paulo avançou no enfrentamento à manipulação artificial de audiência ao condenar o responsável pelo site “Boom de Seguidores”, que oferecia serviços como reproduções falsas em plataformas de streaming, além de curtidas e comentários em redes sociais. A decisão da 12ª Vara Cível determina o bloqueio definitivo do domínio, proíbe a continuidade das atividades e impõe o pagamento de multas.

O entendimento do Judiciário é claro: a prática configura fraude e se enquadra como publicidade enganosa, já que distorce a percepção do público e compromete a transparência do ambiente digital. Para além do consumidor, a sentença reconhece o impacto direto no mercado, onde métricas infladas artificialmente afetam a concorrência e a distribuição de receitas.

O caso faz parte da Operação Authêntica, iniciativa criada em 2023 pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com o CyberGaeco, com apoio de entidades da indústria como a IFPI e a Pro-Música Brasil. Esta já é a terceira condenação em primeira instância envolvendo serviços do tipo, após decisões contra outras plataformas semelhantes.

No modelo atual do streaming, a lógica de remuneração está diretamente ligada ao número de execuções. Quando esses números são manipulados, há um desequilíbrio no sistema: artistas legítimos deixam de receber corretamente, enquanto recursos são desviados por meio de práticas fraudulentas.

O tema ganha ainda mais relevância diante do crescimento do setor. Segundo a IFPI, o Brasil já figura entre os maiores mercados fonográficos do mundo, com a América Latina liderando a expansão global. Esse cenário de crescimento também aumenta a necessidade de fiscalização, já que mercados em alta tendem a atrair atividades ilícitas.

A fraude em streaming, inclusive, é um desafio global. O uso de automação e inteligência artificial tem facilitado a criação de reproduções falsas em larga escala, o que exige ações coordenadas entre plataformas, gravadoras e distribuidoras para conter o problema.

Para especialistas do setor, decisões como essa ajudam a consolidar um recado importante: manipular métricas digitais não é apenas antiético — é ilegal e pode gerar consequências judiciais.