“O Agente Secreto” conquista prêmio inédito nos EUA e entra forte na corrida do Oscar

 


O cinema brasileiro iniciou 2026 com um marco inédito. O Agente Secreto, novo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, venceu o Critics Choice Awards de Melhor Filme Internacional, tornando-se o primeiro filme brasileiro a conquistar o prêmio concedido pela maior associação de críticos dos Estados Unidos e do Canadá.

A vitória amplia a visibilidade internacional da produção e fortalece sua trajetória na temporada de premiações, em um momento decisivo do calendário do cinema mundial. O reconhecimento também representa um feito inédito na carreira de Kleber Mendonça Filho dentro da premiação, consolidando sua posição entre os principais cineastas contemporâneos.

Em entrevista após a cerimônia, o diretor destacou a importância simbólica do prêmio. Segundo ele, o Critics Choice ampliou a repercussão do filme nos Estados Unidos, onde a produção segue em exibição comercial. “Estamos agora em Nova York para dar continuidade a essa agenda”, afirmou. Kleber também comentou a ausência de maior destaque ao cinema internacional durante a cerimônia, mas ressaltou o impacto positivo da conquista.

Com o novo troféu, O Agente Secreto chega à marca de 48 prêmios internacionais. No último fim de semana, o longa também venceu o prêmio de Melhor Filme Internacional da National Society of Film Critics (NSFC). O reconhecimento coloca a obra em um seleto grupo de produções que alcançaram o chamado trifecta da crítica norte-americana, após também ser premiada pelas associações de críticos de Nova York (NYFCC) e Los Angeles (LAFCA).

No Brasil, o filme está em sua nona semana em cartaz e já foi assistido por mais de 1,1 milhão de espectadores. No exterior, soma cerca de 300 mil ingressos vendidos na França e tem estreia marcada para o dia 29 na Itália e na Espanha. No Reino Unido e na Irlanda, o lançamento ocorre em 20 de fevereiro.

A trajetória internacional inclui ainda indicações de peso. No próximo domingo (11), O Agente Secreto concorre ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme de Drama — feito inédito para uma produção brasileira —, Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura. O longa também disputa o prêmio de Melhor Filme Internacional no Independent Spirit Awards e figura na shortlist do Oscar, nas categorias de Melhor Filme Internacional e Elenco.

Ambientado no Recife de 1977, o filme acompanha Marcelo, um especialista em tecnologia que retorna à cidade tentando fugir de um passado obscuro, mas se depara com uma realidade marcada por tensões políticas e pessoais. A produção é uma coprodução internacional entre Brasil, França, Alemanha e Holanda, com distribuição nacional da Vitrine Filmes.