Documentário cotado ao Oscar lança trilha sonora potente que dá voz à resistência indígena na Amazônia

 


O documentário YANUNI, aclamado pela crítica internacional e atualmente na shortlist do Oscar 2026 de Melhor Documentário de Longa-Metragem, lança sua trilha sonora oficial nesta quarta-feira, 14 de janeiro, nas principais plataformas de streaming, como Spotify, Apple Music e similares.

A trilha foi composta por H. Scott Salinas, com apoio do compositor argentino Tomás Videla, em colaboração direta com o líder indígena, músico e produtor executivo Eric Terena. O trabalho conta ainda com participações marcantes da rapper indígena Katú Mirim e da cantora Djuena Tikuna, reforçando o compromisso do filme em amplificar vozes originárias.

A música-tema “No Front” (“na linha de frente”) aborda de forma contundente a exploração de povos indígenas e a extração ilegal de petróleo e ouro na Amazônia. A canção foi escrita e interpretada exclusivamente por Katú Mirim, tornando-se um manifesto sonoro que ecoa os conflitos retratados no documentário. Junto ao lançamento da trilha, também chega ao público um videoclipe da faixa “Yanuni Suite”, que reúne cenas do filme, imagens de Juma Xipaia e performances dos intérpretes.

“Nós gravamos a música de YANUNI em diferentes partes do mundo, de Santa Mônica a Viena, São Paulo e Manaus”, afirma Salinas. “Esta trilha sonora está enraizada em perspectivas e vivências indígenas e reflete de forma genuína os temas do filme.”

Dirigido por Richard Ladkani (Perseguição em Alto Mar, O Extermínio do Marfim) e produzido pela cacica Juma Xipaia ao lado de Leonardo DiCaprio, o documentário foi descrito pela crítica como “emocionante”, “oportuno” e “inspirador”. O filme acompanha a trajetória de Juma Xipaia, liderança indígena da Amazônia brasileira que sai de uma aldeia remota para ocupar um papel central na luta por justiça climática.

Após sobreviver a seis tentativas de assassinato, Juma é nomeada a primeira secretária nacional de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas, no recém-criado Ministério dos Povos Indígenas do Brasil. Paralelamente, seu marido, Hugo Loss, agente federal do Ibama, lidera operações de alto risco contra o garimpo ilegal. Entre ameaças crescentes, pressões políticas e a chegada iminente da maternidade, Juma precisa lidar com o custo pessoal da resistência.

“Trabalhamos para reunir uma equipe verdadeiramente global para compor a música do filme, e o resultado é algo que não apenas reflete Juma e suas vivências, mas também é uma homenagem à sua cultura e à sua missão”, afirma Ladkani. “A Amazônia é uma das regiões mais biodiversas do planeta — e também uma das mais ameaçadas. Queríamos que a música transmitisse essa urgência.”

Para Juma Xipaia, protagonista e produtora, a trilha sonora é parte essencial da mensagem do filme. “A floresta está sendo destruída a uma velocidade alarmante, silenciando milhares de vozes e apagando conhecimentos ancestrais. YANUNI amplifica as vozes indígenas para o mundo — do território à tela — por meio da narrativa, da música e da linguagem visual”, destaca.

O documentário estreou no encerramento do Festival de Tribeca, foi exibido em 35 festivais em 12 países nos últimos seis meses e conquistou 21 prêmios, incluindo Melhor Documentário e Melhor Direção no SCAD Savannah Film Festival. Atualmente, figura entre os fortes candidatos ao Oscar 2026.

Com uma trilha sonora que une arte, ancestralidade e denúncia, YANUNI amplia sua força narrativa e consolida seu impacto como um dos documentários mais relevantes da atualidade — tanto no cinema quanto na luta global pela preservação da Amazônia.