Crise exibida ao vivo durante prova de resistência reacende debate sobre convulsões e epilepsia; especialistas explicam causas, sintomas e quando procurar ajuda
A cena foi forte, inesperada e deixou o público em choque. Durante uma prova de resistência exibida ao vivo no Big Brother Brasil, o ator Henri Castelli sofreu uma convulsão, interrompendo a dinâmica do reality e mobilizando imediatamente a produção do programa. O episódio rapidamente repercutiu nas redes sociais e levantou uma enxurrada de dúvidas: afinal, o que é uma convulsão? Quem pode ter? É sempre epilepsia?
Segundo especialistas, o que aconteceu no BBB não é tão raro quanto parece — e pode atingir pessoas de todas as idades, mesmo sem diagnóstico prévio.
De acordo com o coordenador do Serviço de Neurologia da Rede Mater Dei de Saúde, Dr. Henrique Freitas, o cérebro funciona por meio de impulsos elétricos que permitem a comunicação entre os neurônios. “As crises epilépticas acontecem quando ocorre uma atividade elétrica anormal e simultânea no cérebro. Muitos neurônios passam a disparar ao mesmo tempo, o que pode gerar diferentes manifestações clínicas”, explica.
Nem toda crise é convulsão
Apesar da imagem mais conhecida envolver tremores e perda de consciência, o neurologista alerta que nem toda crise epiléptica se apresenta como convulsão.
“Existem crises generalizadas, que podem causar movimentos involuntários e apagão, mas também crises focais, que se manifestam apenas com alterações de consciência, sensações estranhas, confusão mental ou movimentos localizados. Muitas passam despercebidas”, afirma.
Estimativas apontam que até 3% da população terá algum tipo de fenômeno epiléptico ao longo da vida. E as causas são diversas.
O que pode provocar uma convulsão?
As crises podem estar associadas a fatores estruturais no cérebro, como AVCs, tumores, tromboses, infecções ou traumatismos, mas também podem ter origem genética. Em outros casos, alterações microscópicas na estrutura cerebral tornam a pessoa mais suscetível a descargas elétricas anormais, mesmo sem lesões visíveis em exames de rotina.
Além disso, situações comuns do dia a dia podem funcionar como gatilhos, especialmente em ambientes de estresse extremo, como provas de resistência em realities.
“Privação de sono, estresse intenso, desidratação, infecções e estímulos físicos ou luminosos podem desencadear crises, dependendo do perfil do paciente”, explica Freitas.
Quando procurar ajuda médica
O especialista é enfático: toda primeira crise convulsiva exige avaliação médica imediata.
“É fundamental investigar a causa, descartar alterações estruturais no cérebro e definir se há necessidade de tratamento. O acompanhamento com um neurologista é indispensável”, afirma.
Hoje, os tratamentos disponíveis são eficazes e permitem controle dos sintomas na maioria dos casos. “Com o tratamento adequado, a qualidade de vida é preservada. Pessoas com epilepsia bem controlada podem trabalhar, praticar esportes e levar uma vida absolutamente normal”, diz.
Alerta que vai além do entretenimento
O episódio no BBB expôs um tema ainda cercado de desinformação e preconceito, mas também abriu espaço para conscientização.
“Crises convulsivas não definem uma pessoa, nem significam incapacidade. Informação correta é o principal caminho para reduzir o estigma”, conclui o neurologista.
Enquanto o reality segue, o susto vivido ao vivo serve de alerta: o que acontece na TV também acontece fora dela — e saber reconhecer os sinais pode salvar vidas.
