“Viver é Melhor que Sonhar” traz Luiz Carlos Vasconcelos e Isabela Garcia em uma história sobre o período em que o cantor abandonou a fama e desapareceu dos holofotes. Longa chega aos cinemas em dezembro, no ano em que o artista completaria 80 anos.
A fase mais misteriosa da vida de Belchior vai chegar às telas do cinema. “Viver é Melhor que Sonhar”, filme que revisita os anos em que o cantor e compositor desapareceu da vida pública, será a atração de encerramento do 36º Cine Ceará, em Fortaleza. A sessão Hors Concours acontece em 13 de novembro, no Cineteatro São Luiz, na noite em que serão anunciados os vencedores do festival.
A exibição tem um significado especial: será a primeira vez que o longa será apresentado ao público, justamente no estado onde Antônio Carlos Belchior nasceu e começou sua trajetória artística. Ainda criança, o músico cantava em feiras e atuava como poeta repentista, experiências que ajudaram a moldar sua relação com a cultura nordestina e influenciaram sua obra.
Dirigido por Eduardo Albergaria, de Nosso Sonho, e produzido por Leonardo Edde, o filme tem estreia comercial marcada para 3 de dezembro. A produção chega em um ano simbólico para os admiradores do artista: em 2026, Belchior completaria 80 anos, enquanto seu álbum emblemático Alucinação celebra cinco décadas de lançamento.
O desaparecimento de Belchior vira um road movie
Interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos, Belchior é apresentado em um dos períodos mais enigmáticos de sua vida. Ao lado de Edna, sua companheira vivida por Isabela Garcia, o artista decide abandonar o patrimônio, a fama e a própria identidade para cair na estrada.
O que começa como uma busca por liberdade se transforma em uma jornada marcada por dificuldades financeiras, mandados e deslocamentos constantes. Ao atravessar cidades e fronteiras da América Latina, o casal encontra apoio em fãs que oferecem abrigo e ajuda para continuar a viagem.
A história acompanha os dez anos em que o músico permaneceu afastado dos holofotes, explorando a relação entre os dois e as razões por trás de uma decisão que alimentou curiosidade e especulações durante muito tempo. A proposta é construir um retrato humano de Belchior para além do compositor celebrado por canções que marcaram a música brasileira.
O elenco também reúne nomes como Karine Teles, Augusto Madeira, Lucas Penteado, Nabiyah Be, Márcio Vito, Marina Provenzzano, Lola Belli, Caian Zattar, Ana Luiza Rios, Amaro Freitas e o ator argentino Luciano Cáceres.
Por que Belchior não canta no filme?
Apesar de acompanhar a trajetória de um dos compositores mais importantes da música brasileira, Viver é Melhor que Sonhar tem uma particularidade: a narrativa se concentra no período em que Belchior escolheu não cantar.
Por isso, a trilha sonora inclui músicas que faziam parte do cotidiano do casal durante a viagem, como Like a Rolling Stone, de Bob Dylan, e Imagine, de John Lennon. A seleção musical ajuda a construir a atmosfera da estrada e a acompanhar os personagens em uma fase distante dos grandes palcos.
O projeto começou a ser desenvolvido há cerca de dez anos, inspirado na reportagem A Divina Tragédia de Belchior, de Marcelo Bortoloti, e na biografia Belchior: Apenas um rapaz latino-americano, de Jotabê Medeiros.
Para reconstituir os caminhos percorridos pelo casal, o diretor Eduardo Albergaria, o produtor Leonardo Edde e o roteirista Daniel Dias realizaram uma extensa pesquisa. O trabalho incluiu 78 entrevistas gravadas no Ceará, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e no Uruguai, além da análise de documentos e arquivos pessoais.
A equipe também consultou o livro Viver é Melhor que Sonhar: Os Últimos Caminhos de Belchior, de Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti, aprofundando a investigação sobre os acontecimentos que inspiraram a história.
Filme chega aos cinemas em dezembro
Produzido pela Urca Filmes, com coprodução da H2O Produções, Viver é Melhor que Sonhar conta com patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), investimento do Fundo Setorial do Audiovisual e distribuição da H2O Films.
Para Marina Moreira, superintendente de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES, o projeto contribui para valorizar a memória de um artista que continua influenciando diferentes gerações e experiências culturais no Brasil.
Com a sessão especial no Cine Ceará e a estreia comercial em dezembro, o longa pretende levar ao público uma parte menos conhecida da história de Belchior: a de um homem que, depois de conquistar reconhecimento nacional, escolheu deixar para trás a vida que havia construído e seguir por caminhos inesperados.
“Viver é Melhor que Sonhar” estreia nos cinemas brasileiros em 3 de dezembro de 2026.
