Estêvão Ciavatta Pantoja sofreu o acidente aos 40 anos e transformou a experiência em um filme autobiográfico que chega à Mostra de Cinema de São Paulo.
Uma queda durante uma cavalgada mudou completamente a vida do cineasta Estêvão Ciavatta Pantoja. Em novembro de 2008, aos 40 anos, ele sofreu um acidente que o deixou tetraplégico. Após um longo processo de reabilitação, recuperou os movimentos e iniciou uma jornada de reconstrução pessoal que agora chega às telas com o documentário No Passo da Cobra.
A produção acaba de ganhar cartaz oficial e teve sua estreia mundial no Festival do Rio 2026. O filme também integra a programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, com sessões nos dias 20 e 26 de outubro. A primeira acontece nesta terça-feira, às 19h30, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, com a presença do diretor e da atriz Regina Casé, esposa de Estêvão.
Com 85 minutos de duração, o documentário acompanha a recuperação do cineasta e mostra como o acidente transformou sua relação com o próprio corpo, o tempo e a vida. Entre memórias, encontros e reflexões, a narrativa aborda identidade, superação e as possibilidades de recomeçar depois de uma experiência traumática.
O ponto de partida do filme é uma pergunta aparentemente simples: “Quem sou eu?”. Para Estêvão, encontrar uma resposta pode ser um processo que dura a vida inteira. A tetraplegia não aparece apenas como uma ruptura física, mas também como o início de uma investigação sobre si mesmo e sobre as diferentes maneiras de seguir em frente.
“Quando entendi que o meu corpo, estirado no chão de terra batida, poderia nunca mais sair daquela posição, um grande vazio se abriu dentro e fora de mim. Mas eu não desisti”, conta o cineasta. Ele explica que aprendeu a conviver com as dificuldades sem estabelecer metas rígidas ou tentar acelerar o próprio processo de recuperação.
A natureza também ocupa um lugar central nessa trajetória. Antes de se consolidar no audiovisual, Estêvão estudou Engenharia Florestal e, por meio da Pindorama Filmes, desenvolveu projetos ligados à sustentabilidade, como Um Pé de Quê? e Amazônia Sociedade Anônima. Essa relação entre meio ambiente, corpo e transformação atravessa o documentário.
Um dos momentos mais marcantes dessa caminhada aconteceu em 2025, quando, quase duas décadas após o acidente, o cineasta escalou a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro. A experiência foi registrada em audiovisual e passou a integrar sua história de recuperação, movimento e adaptação.
Além de Estêvão, que assina roteiro, direção e produção, o documentário conta com participações de Regina Casé, do neurocirurgião Paulo Niemeyer, da fisioterapeuta e pesquisadora Lúcia Willadino Braga, de José Vicente Martins e de Pai Celinho de Omulu. Os depoimentos ampliam a discussão sobre ciência, espiritualidade, afeto e as diferentes formas de reconstruir a vida.
A história também ganhará uma versão em livro. Publicada pela Editora Record, a obra chega às livrarias em 10 de novembro de 2026, quando o acidente completará 18 anos. Com 192 páginas, o livro aprofunda as memórias do cineasta e os aprendizados acumulados durante o processo de recuperação.
Quando assistir a No Passo da Cobra?
O documentário tem duas sessões programadas na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo:
20 de outubro, às 19h30: Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, com presença de Estêvão Ciavatta Pantoja e Regina Casé.
26 de outubro, às 17h15: Espaço Petrobras de Cinema.
O longa tem classificação indicativa de 14 anos, produção da Macaco Gordo e da Pindorama Filmes e distribuição da Downtown Filmes.
