16 anos de trabalho, 142 mil rostos e 67 cenas de lágrimas: os números por trás de “O Bosque Selvagem”

 

Dirigida por Travis Knight, a animação é apontada como o filme mais bem avaliado da história da LAIKA e conta com participação de dois brasileiros na equipe.



"O Bosque Selvagem" estreia nesta quinta (29) nos cinemas (Divulgação/Imagem Filmes)

Até onde você iria por amor? Essa é a pergunta que move "O Bosque Selvagem", novo filme do estúdio LAIKA, o mesmo de Coraline e o Mundo Secreto. A animação em stop-motion, dirigida por Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas), estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas, com distribuição da Imagem Filmes.

Resultado de 16 anos de trabalho, o longa chega com 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, o que o torna o filme mais bem avaliado da história do estúdio. No Letterboxd, tem média 4,5 de 5. Também já é apontado como um dos favoritos ao Oscar de Melhor Animação.

O que a crítica internacional disse

  • The Hollywood Reporter (Frank Scheck) classificou o filme como o projeto mais ambicioso da LAIKA e talvez a obra-prima do estúdio;
  • The Telegraph (Robbie Collin) escreveu: "Acho que acabei de ver o filme em stop-motion mais bonito já feito";
  • TheWrap o descreveu como uma das animações mais impressionantes já realizadas;
  • Collider afirmou que o longa supera todos os trabalhos anteriores da LAIKA.

A história

Baseado no livro de Colin Meloy, com ilustrações de Carson Ellis, o filme acompanha Prue McKeel (dublada por Giulia Benite), adolescente obstinada que vê o irmão caçula ser levado por um bando de corvos. Para resgatá-lo, ela parte rumo à Floresta Impenetrável, uma mata encantada escondida logo além de Portland, no Oregon.

Ao lado de Curtis Mehlberg (dublado por Pedro Burgarelli), colega de classe atrapalhado, leal e secretamente apaixonado por ela, Prue atravessa um mundo de animais falantes, bandidos e figuras poderosas movidas por luto e ambição. Quando a dupla é arrastada para um conflito que ameaça o equilíbrio da floresta, a jovem precisa encontrar uma força que nunca soube ter.

Uma vilã movida pelo luto

Do outro lado está Alexandra, a Governadora Viúva. Antes de ser vista como vilã, ela era apenas uma mãe. A morte do filho pequeno despedaçou seu mundo, e ela se recusou a aceitá-la como definitiva. Presa no próprio luto, sacrificou compaixão, razão e humanidade. Para o diretor Travis Knight, "o luto pode fazer o impossível parecer negociável".

Aliados e inimigos pelo caminho

  • Brendan, líder dos Bandidos, que reconhece em Prue a disposição de escolher o que é certo, e não o que é fácil;
  • A General, comandante do Principado Aviário, uma das poucas capazes de enxergar além das disputas entre facções;
  • Septima, pequena e maltrapilha, que sobrevive de esperteza e lábia;
  • Maksim, devoto da Governadora, e Lars Svik, que busca controle;
  • Também aparecem Niamh, o Corujão Rei, Iphigenia, o Chefe dos Correios e Dmitri, além dos pais de Prue, o casal McKeel.

16 anos até chegar às telas

Um ano antes de o livro chegar às livrarias, em 2001, Travis Knight leu o manuscrito ainda inacabado e quis adaptá-lo. Na época, a escala da história era maior do que o stop-motion permitia, e o projeto amadureceu por 16 anos enquanto a LAIKA lançava outros filmes. Os storyboards começaram em 2018, a pré-produção em 2020 e as filmagens em 2021.

Mais de mil profissionais trabalharam no filme. O roteiro é de Knight e Chris Butler (ParaNorman, Kubo, Link Perdido). A fotografia é de Caleb Deschanel, seis vezes indicado ao Oscar, em sua estreia no stop-motion. A trilha é de Dario Marianelli, vencedor do Oscar por Desejo e Reparação.

Os números do filme

  • 231 semanas de produção e 2.804 planos na versão final;
  • 233 bonecos e 142.030 rostos substituíveis, superando os cerca de 106 mil de Link Perdido, o recorde anterior;
  • Uma única cena usou 1.124 rostos, o maior número já registrado em um plano de stop-motion, segundo a LAIKA;
  • 67 planos com lágrimas visíveis. O recorde anterior do estúdio, de Os Boxtrolls, era 6;
  • O menor boneco, a Mini Septima, tem 4,1 cm. A General mede 86 cm do bico à cauda e tem 1,63 m de envergadura;
  • Cada boneco da General tem 3.794 penas colocadas uma a uma;
  • 728 árvores artesanais de dez espécies do noroeste do Pacífico;
  • 112 palcos em mais de 14.400 m²;
  • Cerca de 1.151 km de arame de latão, todo reciclado ao fim das filmagens.
"Nosso filme foi feito à mão, um quadro por vez, e acredito que o público consegue sentir essa presença humana na imagem. Mas o artesanato nunca é o ponto. O sentimento é o ponto."
— Travis Knight, diretor

Brasileiros na equipe

Thiago Calçado, animador de stop-motion, volta a trabalhar com Knight após Kubo e as Cordas Mágicas. Ele também esteve em Ilha dos Cachorros, de Wes Anderson, e foi animador sênior de Pinóquio (2022), de Guillermo del Toro, em que animou a Morte. Como diretor, criou a série Ana Bolinha e Sol em Dó Ré Mi, exibida na TV Brasil.

Marcelo Amp, especialista em moldagem e fundição de silicone, integrou a equipe de efeitos especiais e trabalhou na pele dos bonecos, etapa essencial para o realismo dos personagens e a flexibilidade necessária à animação quadro a quadro.

Ficha técnica

  • Título: O Bosque Selvagem
  • Gênero: Animação / fantasia (stop-motion)
  • Direção: Travis Knight
  • Roteiro: Travis Knight e Chris Butler, baseado no livro de Colin Meloy
  • Dublagem: Giulia Benite (Prue) e Pedro Burgarelli (Curtis)
  • Estúdio: LAIKA
  • Distribuição: Imagem Filmes
  • Estreia: 29 de outubro, nos cinemas

Com informações da assessoria de imprensa da Imagem Filmes.