“Ele provocou um lado horrível do Cazuza”: documentário expõe história chocante por trás do cantor

 


Produção resgata trajetória controversa de Ezequiel Neves, jornalista e produtor musical que teve papel fundamental na descoberta do Barão Vermelho e na carreira de Cazuza

Sexo, drogas, rock, amizade, brigas, excessos e algumas das histórias mais inacreditáveis da música brasileira. A vida de Ezequiel Neves está no centro de um novo documentário que promete revelar um personagem tão controverso quanto fundamental para a história do rock nacional.

“Ninguém Pode Provar Nada – A Inacreditável História de Ezequiel Neves” estreia com exclusividade no Curta! e também está disponível no CurtaOn – Clube de Documentários.

Produzido pela Giros Filmes e dirigido por Rodrigo Pinto, o longa mistura documentário e ficção para reconstruir a trajetória do jornalista, produtor musical, compositor e ator mineiro, conhecido por sua personalidade impulsiva, criatividade e por colecionar histórias — algumas difíceis até de acreditar.

E é justamente aí que está um dos grandes mistérios da produção: até onde vai a verdade e onde começa a famosa “mentira sincera” de Ezequiel?

Cazuza, Rita Lee e histórias que prometem surpreender

Ezequiel Neves foi uma figura central na cena musical brasileira e ficou especialmente conhecido por sua relação com Cazuza e com o Barão Vermelho.

No documentário, ele próprio relembra momentos de sua trajetória e conta como descobriu o grupo por meio de uma fita cassete que estava na casa de Nelson Motta.

A paixão pelo som foi imediata.

“Roubei a fita e fui sequestrado por aquela fita”, conta Ezequiel.

A partir dali, sua história se cruzaria definitivamente com a de Cazuza, de quem acabou se tornando uma espécie de mentor.

Os dois chegaram a dividir a autoria de músicas que se tornaram clássicos, entre elas “Exagerado” e “Codinome Beija-Flor”.

Mas a relação também tinha um lado muito mais complicado.

Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, descreve os dois como “almas gêmeas”, mas também revela que Ezequiel teria estimulado um lado mais destrutivo do cantor.

“Eu gostava muito do Ezequiel, mas ele provocou um lado horrível do Cazuza.”

A declaração ajuda a explicar a complexidade da relação entre os dois e dá ao documentário um dos momentos mais fortes de sua narrativa.

Rita Lee também aparece nas histórias

A trajetória de Ezequiel não passou apenas por Cazuza.

O jornalista também manteve uma relação próxima com Rita Lee e, em uma das cenas do filme, fala de maneira provocadora sobre Os Mutantes, chegando a afirmar que Rita Lee não sabia cantar.

O comentário é apenas uma amostra do tom irreverente e sem filtros que marca a produção.

Ao longo do filme, Ezequiel revisita episódios de sua vida e fala sobre pessoas, acontecimentos e situações que fizeram parte de sua trajetória.

Sexo, drogas e álcool fazem parte da história

O documentário não tenta transformar Ezequiel em um personagem perfeito.

Muito pelo contrário.

A produção aborda abertamente temas como drogas, álcool, sexualidade e comportamentos considerados transgressores, além de apresentar imagens fortes, incluindo nudez em fotografias e falas de conteúdo sexual.

A classificação indicativa do filme é 16 anos.

A proposta é justamente apresentar o personagem em suas contradições, mostrando tanto sua importância cultural quanto os excessos que fizeram parte de sua vida.

Documentário usa inteligência artificial para reconstruir a história

Logo nos primeiros momentos, o público recebe um aviso que já entrega o espírito irreverente da produção:

“Atenção! Esse filme foi feito com uso de Inteligência Artificial e outras drogas.”

Para reconstruir a trajetória de Ezequiel, o diretor Rodrigo Pinto mergulhou em um gigantesco acervo.

Foram mais de 150 horas de entrevistas inéditas, além de fotografias, documentos, imagens de arquivo e outros materiais históricos.

O filme também utiliza recursos de inteligência artificial para recriar entrevistas e momentos que não poderiam ser registrados de maneira tradicional.

Há ainda arquivos falsos, trechos de filmes inventados e outras reconstruções ficcionais que se misturam às imagens reais.

O resultado é uma produção que brinca justamente com a fronteira entre realidade e invenção — algo bastante apropriado para contar a história de um homem conhecido por suas próprias “mentiras sinceras”.

Quem interpreta Ezequiel?

Na parte ficcional do documentário, o ator Emilio Neto interpreta Ezequiel Neves.

O jornalista morreu em 2010, vítima de câncer.

Curiosamente, o próprio Ezequiel é o único entrevistado que aparece diretamente nas entrevistas utilizadas no filme.

Os demais personagens participam por meio de depoimentos em áudio, enquanto suas falas são acompanhadas por fotografias, documentos e imagens de arquivo.

Entre os nomes que contribuem para reconstruir essa história estão Nelson Motta, Guto Graça Mello, Neville D’Almeida, Roberto de Carvalho, Roberto Frejat, Maurício Kubrusly e Lucinha Araújo.

Frejat revela como Ezequiel reconhecia um sucesso

Mesmo sem dominar tecnicamente a música, Ezequiel tinha uma característica que acabou sendo extremamente importante para sua trajetória: sabia reconhecer quando uma música tinha potencial.

Roberto Frejat relembra no documentário como funcionava esse curioso método.

Quando o Barão Vermelho terminava uma música, Ezequiel era chamado para ouvir.

Se gostasse, aprovava.

Se começasse a dançar, era um ótimo sinal.

Mas se não reagisse...

Era hora de voltar para a prancheta.

A história mostra como o olhar intuitivo de Ezequiel ajudou a consolidar alguns dos trabalhos que marcaram o rock brasileiro.

Um personagem impossível de resumir

Nascido em Belo Horizonte, Ezequiel deixou a cidade em 1965 em busca de novas experiências culturais.

Passou por São Paulo e outros lugares e se tornou um dos pioneiros na cobertura jornalística do rock no Brasil.

Mais tarde, seria peça importante na descoberta do Barão Vermelho e na trajetória de Cazuza.

Sua carreira, porém, nunca ficou limitada ao jornalismo.

Ezequiel também atuou como produtor musical, compositor e ator, além de circular por diferentes ambientes artísticos e culturais.

Morreu em 2010, mas deixou uma história tão cheia de contradições que, anos depois, ainda rende um filme de mais de uma hora e meia.

Quando assistir?

“Ninguém Pode Provar Nada – A Inacreditável História de Ezequiel Neves” tem 106 minutos de duração, direção de Rodrigo Pinto e classificação indicativa de 16 anos.

A produção está disponível no CurtaOn – Clube de Documentários, que pode ser acessado pelo Prime Video Channels, pela Claro tv+ e pelo site oficial da plataforma.

Na televisão, o documentário estreia no Curta!, dentro da faixa Segundas da Música & Cinema, no dia 12 de outubro, às 22h, com reprises ao longo da programação.

Mais do que uma biografia convencional, o filme aposta justamente naquilo que tornou Ezequiel Neves uma figura tão singular: a dúvida permanente sobre onde termina a verdade e começa a história que ele próprio decidiu contar.