Adriel Bicho Solto transforma sua trajetória no álbum “O Peão Virou Rei”

 


Depois de mais de 20 anos no Hip Hop, o rapper, compositor e ativista cultural baiano Adriel Bicho Solto transforma experiências pessoais em música no álbum “O Peão Virou Rei”. Com 11 faixas, o projeto apresenta o Olodrill, conceito criado pelo artista a partir do encontro entre o drill e a cultura do Olodum.

Natural de Alagoinhas, na Bahia, Adriel construiu sua carreira no rap baiano e, desde 2023, segue em carreira solo em São Paulo. A pesquisa que deu origem ao Olodrill começou com “Outras Queixas”, que aproximou o drill do samba-reggae e de referências do Olodum. Depois vieram “REI”, com sample de “Faraó – Divindade do Egito”, na voz de Margareth Menezes, “VIROU”, com sample de “Chicleteiro Eu, Chicleteira Ela”, do Chiclete com Banana, e “PEÃO”.

O título do álbum vem de uma regra do xadrez: quando o peão atravessa o tabuleiro, pode ser promovido a uma peça de maior valor. Para Adriel, a imagem representa sua própria caminhada, marcada pela mudança do Nordeste para o Sudeste e por dificuldades como problemas financeiros, xenofobia, discriminação e perdas familiares.

Durante a festa de audição do álbum, realizada na última quarta-feira (23), na Matilha Cultural, o rapper contou histórias difíceis dessa trajetória. Entre elas estão períodos sem água em casa e o risco de ficar sem moradia com a esposa e a filha após um despejo. Essas experiências aparecem principalmente em “PEÃO”, que fala sobre sustentar a família, a descoberta do câncer de mama da irmã e a insistência em seguir em frente.

Para Adriel, o Olodrill vai além da simples mistura de instrumentos ou batidas. A proposta é juntar a força do drill com elementos que representam a ancestralidade, a resistência e a causa do Olodum. O artista também cita Vandal como uma referência que já trabalha essa aproximação entre as duas linguagens.

Com produções de Rzl Prod, Scooby, Junior Carvalho e Edu Beats, que também já trabalhou com nomes como L7NNON, Central Cee, Major RD e TOKIODK, o álbum reúne tambores, graves, samples, referências afro-baianas e rap. Em “O Peão Virou Rei”, Adriel usa a própria história para falar sobre estratégia, resistência e transformação.