Novidades no acervo da série provocaram reação imediata nas tardes de sábado; atração saltou de 2,1 para 3,0 pontos e acumula alta de 42,9%
O SBT encontrou uma maneira de fazer Chaves voltar a crescer na audiência mesmo depois de décadas de reprises. A aposta em episódios produzidos nos anos 1990 está turbinando o desempenho do Clube do Chaves e provocando uma reação significativa nas tardes de sábado.
Dados de audiência obtidos pelo Trambicast mostram que a entrada dos capítulos da década de 1990 foi responsável pela retomada do programa depois de uma sequência de resultados mais baixos.
A transformação começou no início de agosto. Em 1º de agosto, o Clube do Chaves marcou 2,5 pontos e exibiu, pela primeira vez no período analisado, o episódio “Prevenindo acidentes – parte 1”, produzido em 1992.
Na semana seguinte, sem um novo episódio dos anos 1990 na edição, o programa caiu para 2,1 pontos.
Foi então que o SBT intensificou a estratégia.
Em 15 de agosto, o Clube do Chaves exibiu “Chaves não quer tomar banho” (1991) e alcançou 2,8 pontos. O resultado representou um salto de 33,3% em relação aos 2,1 pontos da semana anterior.
Na semana seguinte, a aposta ficou ainda mais evidente.
Em 22 de agosto, o SBT colocou no ar dois episódios da década de 1990: “Que leite esquisito!” (1991) e “Aula de desenho” (1992).
O resultado? 3,0 pontos de média.
Foi a maior audiência do Clube do Chaves entre todas as datas analisadas pelo Trambicast.
Alta de 42,9% em apenas duas semanas
A evolução do programa é expressiva.
No dia 8 de agosto, quando a edição foi composta exclusivamente por episódios antigos, predominantemente da década de 1970, o Clube do Chaves marcou apenas 2,1 pontos.
Depois da retomada dos episódios dos anos 1990, o programa foi a:
2,8 pontos em 15 de agosto
3,0 pontos em 22 de agosto
Isso significa que, em apenas duas semanas, o Clube do Chaves cresceu 0,9 ponto, passando de 2,1 para 3,0.
Em termos percentuais, a alta foi de 42,9%.
E o crescimento não aconteceu de forma isolada: a cada nova presença dos episódios dos anos 1990, o desempenho avançou.
| Data | Episódios dos anos 90 | Audiência |
|---|---|---|
| 25/07 | Não | 2,5 |
| 01/08 | 1992 – Prevenindo acidentes | 2,5 |
| 08/08 | Não | 2,1 |
| 15/08 | 1991 – Chaves não quer tomar banho | 2,8 |
| 22/08 | 1991 e 1992 | 3,0 |
A média das três edições anteriores à arrancada de 15 de agosto foi de 2,37 pontos. Já as duas edições seguintes, com os episódios dos anos 1990, tiveram média de 2,90 pontos.
Na comparação entre os períodos, o crescimento chega a 22,5%.
O segredo está no conteúdo que o público não conhece
A explicação para o fenômeno é simples: o SBT deixou de entregar apenas reprises que o público já conhece de cor e passou a apresentar material que desperta curiosidade.
Os episódios da década de 1990 são particularmente valiosos nesse sentido.
Embora Chaves tenha encerrado sua produção em 1992, uma parte dos episódios dessa fase permaneceu longe da televisão brasileira. O SBT vem recuperando materiais de seu próprio acervo, incluindo episódios produzidos entre 1988 e 1992 que nunca haviam sido exibidos no Brasil.
O levantamento de episódios exibidos pelo canal confirma a estratégia. Depois de “Prevenindo acidentes – parte 1” (1992) em 1º de agosto, vieram “Chaves não quer tomar banho” (1991) em 15 de agosto e, posteriormente, “Que leite esquisito!” (1991) e “Aula de desenho” (1992) em 22 de agosto.
Não por acaso, é justamente nesse período que a audiência dispara.
Chaves também cresce durante a semana
O efeito da estratégia não ficou restrito ao Clube do Chaves.
O desempenho do seriado na programação diária do SBT também apresentou crescimento expressivo no mesmo período.
Em 14 de agosto, Chaves marcou 2,4 pontos.
Na sexta-feira seguinte, 21 de agosto, o programa chegou a 2,8 pontos, uma alta de 16,7%.
E o fenômeno já vinha dando sinais ainda mais fortes durante a semana. Em 13 de agosto, Chaves alcançou 3,0 pontos, enquanto em 20 de agosto bateu 3,2 pontos, seu melhor resultado do ano até então, segundo dados divulgados pelo NaTelinha.
Ou seja: enquanto o SBT começou a abrir espaço para materiais menos conhecidos da franquia, Chaves passou a entregar alguns de seus melhores resultados do ano.
SBT descobriu uma mina de ouro dentro do próprio arquivo
O movimento é particularmente importante porque mostra que o problema nunca foi necessariamente o desgaste de Chaves.
O problema estava na repetição do mesmo conteúdo.
Durante anos, o público brasileiro foi submetido às mesmas histórias, muitas delas exibidas incontáveis vezes. Ao recuperar episódios menos conhecidos, o SBT conseguiu transformar uma reprise em uma espécie de estreia.
E os números respondem imediatamente.
O Clube do Chaves saiu de 2,1 pontos em 8 de agosto para 2,8 pontos em 15 de agosto, justamente quando voltou a receber um episódio dos anos 1990.
Depois, com dois episódios da década de 1990 na edição de 22 de agosto, alcançou 3,0 pontos.
A diferença entre o pior e o melhor resultado do período é de 0,9 ponto, ou 42,9% de crescimento.
Para uma atração baseada em uma produção encerrada há mais de três décadas, trata-se de uma reação bastante significativa.
A fórmula pode render ainda mais
O SBT parece ter encontrado uma estratégia simples para revitalizar uma das marcas mais tradicionais de sua programação: parar de tratar todo o acervo de Chaves como reprise e começar a explorá-lo como conteúdo novo.
A fórmula combina nostalgia com novidade.
O telespectador que conhece os episódios clássicos continua tendo seu conteúdo habitual, enquanto os capítulos dos anos 1990 funcionam como um chamariz para quem quer descobrir histórias que praticamente não fazem parte do repertório tradicional das reprises brasileiras.
E os números do Clube do Chaves deixam pouca margem para dúvida sobre o efeito da mudança.
