Pesquisadora é a convidada de Marcelo Tas na TV Cultura nesta terça-feira (7). Entrevista aborda os impactos da inteligência artificial no cotidiano, dependência digital e sobrecarga cognitiva.
Por Jean Chambre — São Paulo
03/07/2026 23h59 — Atualizado há alguns segundos
O avanço acelerado da inteligência artificial e os impactos psicossociais da dependência digital acionaram o debate no mercado da comunicação e da tecnologia. O tradicional programa “Provoca”, apresentado por Marcelo Tas na TV Cultura, anunciou oficialmente que a convidada de centro de sua bancada nesta terça-feira, 7 de julho de 2026, será a cientista da computação e pesquisadora Nina da Hora. A atração vai ao ar ao vivo a partir das 22h30.
Durante a sabatina, a especialista opera uma varredura crítica sobre como as novas ferramentas generativas de dados alteraram a engenharia das relações humanas com os dispositivos móveis. Longe de adotar um posicionamento de aversão cega ao progresso técnico, Nina argumenta que a IA pode, na verdade, ser utilizada de forma tática como um ativo para expandir a capacidade de reflexão e fomentar um senso de questionamento mais aguçado na sociedade civil.
"Eu não me posiciono como uma tecnofóbica, e não defendo a tese de que a inteligência artificial e suas ferramentas correlatas sirvam apenas para nos dar um direcionamento engessado sobre certezas absolutas. Quando o usuário consegue alcançar essa percepção e furar a bolha, há um ganho de visão de mundo extraordinário, inclusive para aprender a questionar o próprio sistema", pontua a cientista.
Sobrecarga de notificações e a cilada da urgência
A entrevista audita um dos principais dramas da saúde mental contemporânea: a sobrecarga cognitiva gerada pelo tráfego ininterrupto de informações em plataformas digitais. A pesquisadora detalha a engenharia comportamental por trás dos aplicativos de mensagens, que condicionam o cérebro humano a um estado de alerta constante e ansiedade.
Segundo Nina, mesmo quando os alertas sonoros ou visuais do smartphone são desativados de forma manual, a simples ciência de que existem mensagens acumuladas gera um sentimento de desespero e urgência pela resposta. Como contra-ataque tático para mitigar o esgotamento mental, ela recomenda que os usuários reduzam ativamente as distrações e passem a experimentar janelas programadas de desconexão total da rede.
Monopólio das Big Techs e falhas no reconhecimento facial
Outro eixo de forte teor político na conversa é a vulnerabilidade jurídica e social dos cidadãos diante da concentração de poder econômico nas mãos de poucas e bilionárias empresas de tecnologia (as chamadas Big Techs). A cientista adverte que a centralização das interações cotidianas em um inventário restrito de plataformas estrangulou a liberdade de escolha do consumidor e hipertrofiou a nossa dependência sistêmica.
Nina da Hora destina críticas severas à implementação massiva de sistemas de rastreamento biométrico por parte de governos e corporações privadas. Ela alerta para os riscos táticos da tecnologia de segurança pública mais debatida do momento:
"O reconhecimento facial, além de falhar na missão de nos direcionar para um convívio social pacífico, nos empurra intencionalmente para a consolidação de uma cultura do medo. Para além disso, a ferramenta carrega falhas técnicas estruturais gravíssimas que simplesmente não estão sendo discutidas pelas autoridades e desenvolvedores", dispara a pesquisadora.
A produção do programa Provoca conta com a chancela institucional de realização da TV Cultura, em parceria com a Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais, sob o selo do Ministério da Cultura e do Governo Federal. Além da transmissão tradicional na TV aberta, a entrevista será disponibilizada em tempo real no aplicativo Cultura Play e no canal oficial da emissora no YouTube.
