Encerrada a Copa do Mundo de 2026, especialistas avaliam que o principal desafio das marcas será manter o engajamento conquistado durante o torneio. Segundo projeção da WARC Media, a competição movimentou cerca de US$ 10,5 bilhões (R$ 58 bilhões) em investimentos globais em mídia, consolidando mudanças no consumo de conteúdo esportivo.
Durante o Mundial, as transmissões ficaram cada vez mais distribuídas entre televisão, streaming, redes sociais e aplicativos. No Brasil, a Globo informou ter alcançado 133 milhões de pessoas, enquanto a CazéTV superou 100 milhões de dispositivos ao longo da competição, registrando pico de 21 milhões de acessos simultâneos em uma partida da Seleção Brasileira. Plataformas especializadas, como a OneFootball, também registraram milhões de visualizações durante os jogos do Brasil.
De acordo com Bruno Almeida, especialista da US Media, o comportamento do público confirma uma mudança estrutural no consumo esportivo. Segundo ele, o torcedor acompanha partidas em diferentes plataformas ao mesmo tempo, exigindo das marcas estratégias contínuas de presença digital, em vez de ações concentradas apenas em grandes eventos.
O cenário acompanha a evolução do mercado publicitário. Dados do Cenp-Meios indicam que, em 2026, a mídia digital superou pela primeira vez a televisão aberta em investimentos publicitários no Brasil. No cenário internacional, a PwC projeta que o mercado global de publicidade alcance US$ 1,4 trilhão até 2030, impulsionado principalmente pelas plataformas digitais e pelo avanço da inteligência artificial.
O próximo grande evento esportivo já aparece como oportunidade para anunciantes. O Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina de 2027, primeira edição do torneio realizada na América do Sul. A competição contará com 32 seleções e 64 partidas, enquanto o crescimento da audiência do futebol feminino e o aumento das receitas da modalidade reforçam o potencial comercial para patrocinadores.
Para Almeida, a principal herança da Copa de 2026 é um consumidor cada vez mais conectado e multiplataforma, tornando indispensável que empresas mantenham estratégias digitais consistentes mesmo após o fim dos grandes eventos esportivos.
