Com uso de inteligência artificial, TV Cultura estreia série infantil latina sobre futebol

 


'Meu Campinho' é uma coprodução internacional que une seis países da América Latina. Animações dão vida a desenhos de crianças reais e estreiam nesta segunda-feira (6).

Por Jean Chambre — São Paulo

02/07/2026 14h35 — Atualizado há alguns segundos

A televisão pública e o mercado de animação dão um passo tático em direção à inovação tecnológica voltada para as novas gerações. A TV Cultura anunciou oficialmente a estreia da série infantil “Meu Campinho” para esta segunda-feira, dia 6 de julho de 2026. O projeto foca no protagonismo infantil e utiliza o futebol como pano de fundo para destrinchar as vivências, vitórias e frustrações de crianças ao redor do continente.

A obra é fruto de uma robusta engenharia de coprodução internacional capitaneada pela rede Escola Plus (canal da Fundação Norma e Leo Wertheim) e pela Rede TAL (Televisão América Latina). Além do Brasil, representado pela Fundação Padre Anchieta, o intercâmbio de mídia envolve canais públicos da Argentina, México, Colômbia, Equador e Uruguai.

A proposta estética da produção traz um diferencial técnico inédito para a grade da emissora: em cada episódio, duas crianças se reúnem em um espaço onde se joga futebol. Enquanto uma assume o papel de narradora para relatar um momento marcante de sua vida no esporte, a outra atua como desenhista, ilustrando a história em tempo real. A inovação acontece na pós-produção, onde ferramentas de inteligência artificial transformam os traços originais das crianças em uma sequência animada fluida, preservando a identidade artística de cada participante.

O gol mexicano e o lance inesquecível do Brasil

A engenharia de programação distribuirá a série na grade diária de segunda a sexta-feira, em dois horários estratégicos: na faixa matutina, às 10h10, e no bloco vespertino, às 15h45.

O episódio de estreia, produzido originalmente no México e intitulado “O Gol de Empate”, acompanha a história das crianças Said e Valéria, que debatem como o esforço coletivo em uma partida de domingo provou que um empate pode ter o peso de uma grande vitória de campeonato.

Já a representação do Brasil no projeto ficou sob os cuidados da equipe de estúdio da TV Cultura. No episódio nacional, o jovem Gabriel, de 10 anos, assume os microfones para resgatar uma memória marcante vivida durante uma aula de educação física na escola — um chute despretensioso que se converteu em um lance antológico. Enquanto Gabriel opera a narração, o colega Akins, também de 10 anos, assume a prancheta para criar os desenhos que são processados pelas ferramentas de inteligência artificial.

Tecnologia e diversidade de mercado

Para o comitê diretivo da Fundação Padre Anchieta, a série traduz as novas possibilidades de expansão das fronteiras do audiovisual público na era digital. Rosa Crescente, diretora de Convênios e Projetos Incentivados da fundação, aponta que o projeto fortalece os laços culturais de vizinhança ao permitir que as crianças reconheçam sentimentos comuns independentemente de sua barreira geográfica.

Beth Carmona, vice-presidente da fundação e da TV Cultura, complementa destacando a relevância do equilíbrio entre tecnologia e sensibilidade na produção de conteúdo de entretenimento:

“O projeto Meu Campinho funciona como um exemplo prático de como o ecossistema de tecnologia pode ser integrado para ampliar a capacidade de expressão e as linguagens de mídia das crianças, sem que haja a perda da autenticidade e da imaginação de seus desenhos originais. Trata-se de uma valorização profunda do protagonismo infantil através de uma ferramenta contemporânea de mercado”, avalia Beth Carmona.

Bônus: Arquivo histórico na programação

Pegando carona no tema esportivo da atração principal, a TV Cultura também reinserirá em suas janelas de programação os curtas-metragens da série “O Mundial e Eu”.

A produção é fruto de um intercâmbio prévio realizado entre emissoras latino-americanas no ano de 2010 (onde o Brasil contribuiu com cinco curtas originais), documentando, sob a ótica das crianças da época, as diferentes paixões e rituais que envolvem o acompanhamento das partidas de futebol nos países vizinhos da América do Sul.