Com MC Luanna e Trio Mocotó, Festival Quebrada Viva ocupa a Brasilândia com arte periférica gratuita

 


Evento em julho celebra o mês da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha no Parque Linear Bananal-Canivete. Programação 360° une rap, jazz, batalhas de slam e teatro infantil.

Por Jean Chambre — São Paulo

01/07/2026 12h37 — Atualizado há alguns segundos

A Zona Norte de São Paulo se prepara para receber um dos principais movimentos de ocupação cultural e economia criativa do ano. No dia 25 de julho de 2026 (sábado), das 10h às 21h30, o Parque Linear Bananal-Canivete, localizado na Brasilândia, será o palco do Festival Quebrada Viva. Totalmente gratuito, o evento encerra um ciclo de oficinas formativas de iluminação, discotecagem e produção cultural realizadas nos meses anteriores na Fábrica de Cultura da Brasilândia.

A escolha de julho para a realização do festival não é casual. A engenharia do projeto foi planejada para referenciar e saudar o poder de resistência do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. O festival é realizado pelo Ministério da Cultura, com idealização da gestora e produtora cultural Michelle Serra (nome por trás de turnês de artistas como Tássia Reis, Bia Ferreira e Banda Black Rio) e produção do Instituto SUAME Esperança.

“Sonho com esse festival há dez anos, vindo de uma família onde meu pai foi DJ e minha avó, puxadora de samba-enredo na Unidos do Peruche. O Quebrada Viva nasce para valorizar a arte periférica contemporânea e, acima de tudo, gerar postos de trabalho e renda para mães solo e pessoas historicamente invisibilizadas pelo mercado tradicional de eventos”, destaca Michelle Serra.

Palco Principal: Do Samba-Rock histórico ao Trap

O Palco Principal do festival iniciará os trabalhos às 14h com uma forte conexão entre as oficinas e a prática de mercado. O DJ Ray comandará a pista ao lado de seus alunos formados pelo projeto: DJ Xum, Vossog, Lets Diaz, Ant & Refulgeo, desfilando um set tático que vai do reggae e dancehall ao new wave.

A grade musical segue ao longo do dia com transições estéticas bem marcadas:

  • 15h — DeeJazz: O quinteto une a sofisticação do jazz à cultura de rua em releituras improvisadas de clássicos de Racionais MC's, Tim Maia, Beyoncé e Tupac;

  • 17h — Stefanie (part. Cristal): A veterana do rap nacional de Santo André, que lançou recentemente o elogiado disco BUNMI, recebe como convidada a gaúcha Cristal, dona do álbum EPIFANIA (vencedor do Natura Musical);

  • 17h50 — Bloco Jah É: O cortejo de rua, nascido na Freguesia do Ó, arrastará o público pelo parque ao som de ritmos pesados de samba reggae;

  • 18h30 — Trio Mocotó: Lendas vivas da música brasileira, João Parahyba, Nereu São José e Melvin Santhana trazem a fusão clássica de samba, soul e funk com os hinos “Coqueiro Verde” e “Kriola”;

  • 19h40 — DJ K-Mina: A pesquisadora musical e DJ (com passagens pelo Lollapalooza e The Town) assume as pick-ups com foco em afrobeats e black music;

  • 20h30 — MC Luanna: O grande fechamento do festival fica sob a responsabilidade da rapper baiana radicada em São Paulo, voz de destaque da nova geração que mistura as rimas do trap às batidas do funk ostentação.

Programação Paralela: Literatura de rua e teatro infantil

Além das atrações musicais do palco central, o Parque Linear Bananal-Canivete receberá uma curadoria multidisciplinar de intervenções artísticas distribuídas por todo o seu território gramado:

A manhã começará às 10h com o espetáculo infantil “Os Piratas na Ilha do Tesouro Perdido”, peça em circulação nacional desde 2010 que utiliza o humor e o lúdico para abordar temas pedagógicos com as crianças, como cidadania, convivência e combate ao bullying. Às 14h, as rimas tomam conta do espaço com as batalhas de poesia falada e literatura de rua promovidas pelo coletivo Slam do Pico.

A tarde do parque ganha contornos tradicionais a partir das 15h30 com a roda de samba de raiz do Caldeirão do Samba da Dobrada, grupo fundado na Casa Verde que resgata as obras históricas de Cartola, Beth Carvalho e do grupo Fundo de Quintal. Em paralelo, os músicos do coletivo O Jazz Não Morde circularão de forma itinerante e acústica entre o público, operando intervenções de improviso e aproximando o gênero musical dos moradores da comunidade de forma descontraída.

Serviço do Evento

  • Atração: Festival Quebrada Viva 2026

  • Local: Parque Linear Bananal-Canivete (Brasilândia, Zona Norte de São Paulo - SP)

  • Data: 25 de julho de 2026 (Sábado)

  • Horário: Das 10h às 21h30

  • Ingressos e Acesso: 100% Gratuito (Não há necessidade de retirada prévia de bilhetes)

  • Classificação Indicativa: Livre para todas as idades

  • Apoio Institucional: Instituto Poiesis, Fábrica de Cultura da Brasilândia e Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.