Cantora e compositora revisita 20 anos de carreira em entrevista a Marcelo Tas na TV Cultura. Artista detalha os desafios da cena independente e o motivo de assumir a gestão de seus negócios.
Por Jean Chambre — São Paulo
27/06/2026 16h07 — Atualizado há alguns segundos
Os bastidores do mercado fonográfico independente e os impactos causados pelas transformações tecnológicas na rotina dos artistas serão o centro do debate na televisão aberta. Nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, às 22h30, o programa “Provoca”, apresentado por Marcelo Tas na TV Cultura, recebe a cantora e compositora paulistana Céu.
Na entrevista, que marca as celebrações de suas duas décadas de trajetória artística, a vencedora do Grammy Latino faz um balanço crítico sobre a sustentabilidade financeira da música urbana e revela por que decidiu assumir o controle executivo de sua própria carreira, rompendo com o isolamento tradicional que costuma cercar os intérpretes no show business.
A artista não poupou críticas e análises de mercado sobre o avanço da inteligência artificial (IA) no setor do entretenimento. De acordo com Céu, as ferramentas de automação geradora de áudio já operam uma mudança drástica e prejudicial na empregabilidade de profissionais de estúdio.
"A inteligência artificial já está afetando o mercado de trabalho dos artistas de forma muito direta. Quem trabalha com trilhas sonoras e os músicos de apoio são a primeira galera a ser substituída pela IA. O consumo de música feita por IA está aumentando de forma muito significativa, embora o público comece a demonstrar alguns sinais de saturação com essa padronização", alerta a cantora.
A escolha pela rota independente: 'Trabalho de formiguinha'
Ao resgatar o início de seus passos na música, no começo dos anos 2000, Céu detalhou a engenharia tática que aplicou para se consolidar sem o suporte das grandes gravadoras tradicionais. A artista pontuou que a liberdade de catálogo sempre pesou mais em suas decisões do que os adiantamentos financeiros do mercado corporativo.
"Eu quis seguir um caminho independente desde o princípio, e ser uma artista mulher independente no Brasil é extremamente difícil. Eu fui fazendo esse processo em um trabalho de formiguinha, degrau por degrau. Me interessava e me dava muito mais tesão criativo do que assinar aqueles contratos engessadíssimos das grandes companhias", relembra.
A necessidade de entender a matemática por trás dos palcos foi o estopim para que ela mudasse sua postura de negócios nos últimos anos. Céu revelou a Marcelo Tas que percebeu que a blindagem artística oferecida por empresários muitas vezes afastava o músico da realidade de suas receitas.
"Teve um momento em que percebi que estava muito alienada, totalmente blindada do mundo real. Algumas equações financeiras e de logística não estavam se fechando e eu entendi que precisava compreender melhor os processos. Passei a estudar o mercado e o meu sistema hoje está baseado em uma premissa simples: eu olho absolutamente tudo da minha carreira", afirma.
Origens e apoio institucional
A formação estética da cantora também foi debatida na bancada, com Céu creditando sua paixão pelo cancioneiro nacional ao ambiente doméstico e à parceria com seu irmão. "Eu comecei na música muito por causa dele. A música sempre foi a linguagem oficial da minha casa", resume.
O programa “Provoca” com a participação de Céu é uma realização da TV Cultura e conta com o suporte financeiro do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais. Além da transmissão principal na TV aberta na terça-feira, o episódio completo será disponibilizado simultaneamente no aplicativo Cultura Play e nos canais digitais da emissora no YouTube.
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