Artista cearense levou estética cangaceira futurista e banda ao vivo para o Parque Tejo neste domingo (28). Show contou com faixas de seu último disco, 'XTRANHO', e participações especiais.
Por Jean Chambre — Lisboa
29/06/2026 21h41 — Atualizado há alguns segundos
A engenharia do rap nacional alcançou o topo de um dos palcos mais cobiçados da Europa. O cantor e compositor cearense Matuê operou um marco histórico no mercado fonográfico neste domingo (28 de junho de 2026) ao se tornar o primeiro rapper brasileiro a se apresentar no Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa, em Portugal. O artista dividiu a noite com gigantes do hip-hop britânico, como 21 Savage e Central Cee, figurando ao lado de Pedro Sampaio como os únicos representantes do Brasil no espaço nobre do festival em 2026.
Diante de uma multidão que lotou o Parque Tejo, o músico de Fortaleza (CE) apresentou um espetáculo totalmente inédito, desenvolvido de forma exclusiva para o festival europeu. A engenharia cenográfica do show impressionou o público ao simular um deserto distópico de estética cyberpunk, composto por formações monolíticas futuristas de grande porte e projeções visuais imersivas que envolviam o palco desde os primeiros acordes do hit “777-666”.
Do formato DJ Set à potência da banda ao vivo
A dinâmica do espetáculo foi dividida de forma tática em dois blocos de consumo distintos:
Bloco 1 (Estilo Sound System): Desenhado na estrutura de um DJ set, o bloco inicial enfileirou os grandes fenômenos comerciais de Matuê em solo lusitano, incluindo “Quer Voar” e “Crack com Mussilon”. O repertório também trouxe uma versão com forte roupagem de rock da música “Autobahn”, o megahit “Kenny G” e a faixa “Conexões da Máfia” — que fez história nas métricas de streaming em 2023 ao estrear como a música mais executada de Portugal no Spotify. Os rappers Brandão e Cashley fizeram participações especiais de apoio nas rimas;
Bloco 2 (Formato Arena): O segundo bloco foi inaugurado pela performance inédita de “Rei Tuê”, canção pertencente ao álbum “XTRANHO”, lançado pelo artista em dezembro de 2025. Nesta metade, Matuê foi sustentado por uma banda completa com guitarras distorcidas, bateria física, teclados e sintetizadores, explorando as camadas psicodélicas de faixas como “333” e “Os Melhores”, que encerrou a apresentação. A cantora Kouth também subiu ao palco para o feat eletrizante de “Ícone Fashion”.
Moda marginal: Do cangaço nordestino à anarquia japonesa
O figurino de Matuê operou como um manifesto de design no Palco Mundo. Durante todo o espetáculo, o rapper manteve no rosto um acessório conceitual fixo: um tapa-olho de prata feito sob medida. A joia foi inspirada na herança visual do banditismo e do cangaço do Nordeste brasileiro, amarrando a identidade de suas origens geográficas ao mercado europeu.
As roupas acompanharam as transições musicais do show. No primeiro bloco, o artista usou uma jaqueta cor-de-rosa customizada que faz referência ao conceito NPC (Não Passa Credibilidade), movimento de moda underground nascido durante o processo criativo do disco “XTRANHO”.
No segundo bloco, a alfaiataria migrou para uma estética anárquica e pesada, composta por uma jaqueta de couro envelhecido inspirada no visual da banda japonesa de hardcore punk G.I.S.M., combinada com calças da marca Ed Hardy e cintos e botas de alta costura da grife Balenciaga.
Recordes de consumo no mercado de Portugal
A consagração no Rock in Rio Lisboa coroa uma sólida e lucrativa relação comercial de Matuê com o público português. O líder da gravadora 30PRAUM é um dos raros artistas brasileiros a cravar duas músicas diferentes no topo absoluto (Nº 1) do ranking Top 50 do Spotify Portugal: “M4” (com Teto) e “Conexões da Máfia” (que alcançou a 37ª posição no chart global).
A força de bilheteria do cearense já havia sido testada com sucesso em 2025, quando ele esgotou os ingressos da MEO Arena, em Lisboa — uma das maiores arenas de espetáculos da Europa —, quebrando o recorde auditado de maior público pagante para um show de rap brasileiro na história do espaço. O rapper também detém em seu histórico comercial o feito de esgotar as bilheterias do tradicional festival universitário Queima das Fitas, em Coimbra.
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