Maratona de São João: com mais de 50 shows no mês, Galícia Cruz revela bastidores dos cuidados com a voz

 


Forrozeira cumpre agenda em seis estados do Nordeste e conta com suporte de fonoaudióloga para evitar lesões em temporada de até três apresentações por noite.

Por Jean Chambre — São Paulo

26/06/2026 23h56 — Atualizado há alguns segundos

O mês de junho representa o ápice do faturamento e da visibilidade para o mercado da música nordestina, mas os bastidores dos grandes festejos de São João escondem uma rotina de alta pressão biológica. Para suportar o ritmo de estradas, palcos e trios elétricos, artistas de grande porte recorrem à engenharia clínica e médica para blindar as cordas vocais contra o desgaste extremo.

Um exemplo prático dessa realidade é a cantora cearense Galícia Cruz, uma das principais vozes da nova safra do forró romântico. Natural de Itapipoca (CE), a artista — que já ultrapassou a marca de 1 milhão de ouvintes mensais no Spotify com projetos como “Uma Pancada de Forró” — cumpre uma agenda de mais de 50 apresentações distribuídas por seis estados do Nordeste no circuito junino deste ano.

Para garantir que o desempenho técnico do primeiro show se repita até o encerramento do calendário, a cantora segue uma cartilha diária sob a supervisão da fonoaudióloga Dra. Odenys Moura. O trabalho foca na prevenção de edemas, nódulos e episódios severos de rouquidão.

O perigo da falta de sono e do uso contínuo fora dos palcos

De acordo com os especialistas em voz, o período de São João se difere de qualquer outra época do ano por concentrar cerca de 60 dias de uso vocal em níveis industriais. Em datas festivas estratégicas, como as vésperas de São João e São Pedro, as bandas chegam a emendar duas ou até três apresentações em municípios diferentes na mesma noite.

A logística aérea e rodoviária severa reduz drasticamente as janelas de sono reparador e desregula os horários de alimentação. Essa quebra de rotina afeta diretamente o músculo vocal, que passa a operar sob fadiga e estresse psicológico.

"Muitas vezes o artista dorme pouco, não consegue manter uma alimentação adequada ou ignora os primeiros sinais de cansaço. Outro erro clássico é continuar exigindo da voz fora do palco, tentando conversar em ambientes barulhentos ou durante os barulhentos deslocamentos em vans e ônibus. Quando o desgaste físico e emocional se acumula por semanas, o risco de lesões permanentes nas pregas vocais dispara", alerta a Dra. Odenys Moura.

A estratégia tática aplicada na rotina de Galícia Cruz inclui sessões obrigatórias de aquecimento vocal antes de subir ao palco e de desaquecimento logo após o término dos shows, além de um controle rígido de hidratação sistemática com água em temperatura ambiente.

Dicas de saúde vocal para os foliões nas festas

A preocupação com a integridade das cordas vocais não deve ficar restrita aos microfones profissionais. De acordo com a fonoaudiologia, o público que frequenta as praças e arenas de eventos também costuma cometer excessos perigosos ao tentar competir sonoramente com os sistemas de som de alta potência.

Para aproveitar os últimos dias de festa sem perder a voz no dia seguinte, a especialista indica três medidas práticas de redução de danos:

  • Evitar o esforço desnecessário: Não tente gritar para conversar com amigos enquanto estiver muito próximo às caixas de som do evento;

  • Hidratação constante: Intercale o consumo de bebidas alcoólicas com copos de água para manter a mucosa da garganta devidamente lubrificada;

  • Repouso vocal: Após longos períodos cantando nas frentes de palco, tente praticar momentos de silêncio para dar tempo de recuperação ao tecido muscular.