A mudança na faixa matinal do SBT começa a se traduzir em números — e, principalmente, em identidade. Desde que entrou no ar, no início de março, o “Se Liga Brasil”, comandado por Thiago Gardinali, vem mostrando que encontrou um caminho mais alinhado com o DNA da emissora: informação com leveza, ritmo e proximidade com o público.
Os dados das primeiras semanas confirmam essa percepção. O jornal se manteve estável na casa dos 2 pontos, com médias de 2,1 nas duas primeiras semanas e 2,0 nas duas seguintes, fechando o período com 2,05 de média geral. Mais do que crescer, o programa passou a ocupar um espaço mais competitivo na faixa — com presença frequente na briga direta pela vice-liderança.
O avanço fica ainda mais claro quando comparado ao cenário anterior. O “SBT Manhã”, que ocupava o horário até fevereiro, encerrou sua trajetória com 1,90 de média, além de oscilações mais visíveis ao longo das semanas. Faltava constância — e, em muitos momentos, conexão.
É justamente nesse ponto que o “Se Liga Brasil” parece ter virado a chave. Sem abrir mão do jornalismo, o programa aposta em uma condução mais leve e fluida, com entradas mais naturais, linguagem acessível e um ritmo que conversa melhor com o início do dia. Gardinali se distancia de um tom excessivamente formal e entrega um telejornal mais solto, sem perder a credibilidade — algo que historicamente funciona dentro do estilo do SBT.
A sensação é de um produto mais vivo. O noticiário continua presente, mas dividido com prestação de serviço, participações e uma cadência que evita a rigidez. Isso ajuda a segurar o público e explica por que o programa praticamente eliminou quedas mais bruscas de audiência, mantendo uma base sólida ao longo das edições.
Na prática, o resultado já aparece no desempenho diário. O “Se Liga Brasil” passou a encostar com mais frequência na vice-liderança e, em alguns momentos, chega a assumir a posição em disputas diretas. Ainda não é uma virada consolidada, mas é um cenário bem diferente do visto no começo do ano.
Dentro da emissora, a leitura é positiva: o jornal não só elevou os índices, como devolveu competitividade à faixa. E talvez o mais importante — fez isso sem romper com a essência do SBT, apostando em um jornalismo mais próximo, menos engessado e com cara de conversa.
Se mantiver esse equilíbrio entre informação e leveza, o “Se Liga Brasil” tem tudo para transformar a reação inicial em uma virada mais consistente nas manhãs.
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