Exibido neste domingo (25), "Matemática", gravado em 1989, traz reflexão profunda sobre educação e humanidade; cena viraliza e comove espectadores.
O SBT pegou o público de surpresa na manhã deste domingo ao exibir um episódio até então inédito no Brasil de "Clube do Chaves". Intitulado "Matemática", o capítulo — produzido originalmente em 1989 — encerrou-se com um monólogo do Professor Girafales (interpretado por Rubén Aguirre) que rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.
Na cena em questão, o mestre da icônica escolinha da vila protagoniza um momento de rara sensibilidade ao discutir a natureza do aprendizado e a paciência necessária no trato com os alunos. Após um breve desentendimento com a personagem Chiquinha, Girafales utiliza uma metáfora sobre a escultura para falar sobre a formação do indivíduo.
A metáfora do escultor
"Se houvesse um escultor que estivesse moldando uma escultura de argila ou porcelana e, de repente, percebesse que não obteve os resultados que queria... estaria certo ele se desfazer da argila ou da porcelana?", questiona o professor, em um tom de voz embargado que foge à sua habitual postura rígida.
Para especialistas em educação e fãs de longa data, a fala ressoa como uma crítica à exclusão escolar e um lembrete de que o erro faz parte do processo de "moldar" o caráter e o conhecimento de uma criança. O silêncio que se segue no vídeo, acompanhado por uma trilha sonora suave, marca uma quebra no estilo slapstick (comédia física) tradicional da série, aproximando a obra de Roberto Gómez Bolaños de um drama humanista.
A exibição do episódio de 1989 faz parte de um esforço da emissora para revitalizar a marca "Chaves" na grade de programação, aproveitando o vasto acervo de esquetes que não foram dublados ou exibidos em décadas anteriores.
O episódio termina com Girafales retomando a aula de geometria, mas a mensagem central — de que nenhum aluno é "matéria-prima" descartável — parece ter sido a lição que mais marcou o público neste domingo.


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