Arquivo Histórico: Em janeiro de 2003, o mundo da TV entrou em choque. Um seriado mexicano de 30 anos atrás provou que, para vencer a guerra da audiência, não era preciso dinheiro, mas sim... um barril e um pirulito.
Janeiro de 2003. O SBT tomava uma decisão que parecia arriscada: extinguir o tradicional Sabadão e colocar no lugar o eterno Chaves. O resultado? Uma "dor de cabeça" sem precedentes para a concorrência e uma lição de economia que a Folha de S. Paulo chamou de "Ovo de Colombo".
A Humilhação nos Números: 13 a 12!
A conta era simples, mas dolorosa para os grandes produtores. Enquanto o programa de Gugu Liberato, com todo o seu custo astronômico de produção, bailarinas e convidados, penava para manter uma média de 12 pontos, o enlatado mexicano, sem gastar um centavo a mais, cravou 13 pontos de média logo no primeiro mês.
Como um programa gravado entre 73 e 80, com cenários de papelão que quase desmontavam quando os atores passavam, conseguia dar mais IBOPE que as produções mais modernas da época?
"Mina de Ouro": O Trunfo de 32 Países
O fenômeno não era só brasileiro. Em 2003, o O Globo revelava que a Televisa exportava as trapalhadas de Roberto Bolaños para 32 países, incluindo lugares improváveis como a Rússia e Angola. Na Colômbia, o impacto era tanto que até ladrões de banco deixavam bilhetes citando o Chapolin Colorado dentro de cofres roubados!
No Brasil, o sucesso era tão absurdo que o diretor de programação, Mauro Lissoni, confirmou: o humor pastelão de Chaves ocuparia definitivamente o lugar de Gugu aos sábados. "Não há por que substituí-lo", celebrava a cúpula do SBT ao ver picos de 14 pontos em pleno sábado à tarde.
"Põe a Casa dos Artistas no Chinelo"
O que explicava esse "feitiço"? Para os jovens de 2003, a resposta estava na pureza. Enquanto os reality shows como a Casa dos Artistas fervilhavam, o universitário Thales Martins resumia o sentimento da época: "Chaves põe qualquer Casa dos Artistas no chinelo".
A simplicidade, a ausência de violência e o talento bruto dos atores transformaram o "humor mambembe" na maior arma secreta de Silvio Santos contra a modernidade. Sem querer querendo, o SBT descobriu que a nostalgia era mais lucrativa do que qualquer superprodução milionária.

nossas redes