A recente volta de Chaves às telas após o hiato provocado por disputas de direitos autorais reacendeu a curiosidade sobre o fenômeno mexicano no Brasil. Mas um capítulo esquecido dessa história revela que, em 1997, o SBT esteve a um passo de produzir uma versão nacional do seriado, com atores brasileiros ocupando a vizinhança mais famosa da TV.
Na época, o raciocínio de Silvio Santos era pragmático. Com apenas 280 episódios no acervo e uma audiência que não parava de crescer após 13 anos de exibição, a repetição exaustiva era o principal gargalo. A solução proposta pelo "patrão" foi audaciosa: construir novos episódios em solo brasileiro, mesclando textos clássicos com roteiros inéditos encomendados ao próprio Roberto Gómez Bolaños.
Missão na Cidade do México
A empreitada não ficou apenas no campo das ideias. Roberto Manzoni, o "Magrão" (então diretor do Domingo Legal), foi enviado pessoalmente à Cidade do México para formalizar o convite a Bolaños. A proposta incluía o pagamento de royalties pelo uso da imagem e a participação ativa do criador na supervisão criativa.
Apesar do interesse do SBT, Bolaños — conhecido por um protecionismo quase sagrado com sua obra — manteve a postura que já havia frustrado outros brasileiros ilustres. Antes de Silvio Santos, Xuxa tentou contratar o roteirista para seu programa, e Pelé chegou a propor um longa-metragem para o cinema. Ambos receberam um "não" como resposta, sob a justificativa de que o personagem pertencia exclusivamente ao universo televisivo original.
O fator Villagrán e os 'Trapalhões'
Enquanto as negociações por um elenco brasileiro ocorriam nos bastidores, o elenco original continuava a arrastar multidões no Brasil. Em 1997, Carlos Villagrán (o Kiko) excursionava pelo interior de São Paulo com o Circo Stankowich.
A popularidade do "bochechudo" era tamanha que ele chegou a ser cogitado para um projeto improvável: integrar uma nova fase de Os Trapalhões, ao lado de Renato Aragão e Beto Carrero. Embora a parceria nunca tenha se concretizado na TV aberta, o movimento mostrava que, para o mercado brasileiro dos anos 90, o limite entre a comédia nacional e a mexicana era quase inexistente.
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